O sofrimento e o prazer de correr
Há tempos que venho querendo falar sobre esse assunto, mas nunca conseguia escrever um texto que prestasse ou que eu achasse que vocês pudessem gostar, mas lendo uma reportagem que saiu na edição de janeiro da revista Runners World Brasil, me senti um pouco mais seguro para dissertar sobre tal assunto.E que assunto é esse? Esse assunto é melhor apresentado na forma de uma pergunta, então aí vai: "Porque muitos corredores gostam de "sofrer" com as dores durante uma corrida ou um treino?"
Eu sou um que quanto mais sofrida, mais prazeirosa vai ser aquela corrida. E igual a mim conheço muitos outros. Então, porque a sensação "boa" quando estamos com dores? Pelo simples fato de sentirmos que estamos "no jogo"? Ou seria pelo fato de estarmos levando nosso corpo ao limite, provocando um êxtase?
Nosso cérebro emite a sensação de dores como um aviso de que estamos no limite, que é para diminuirmos um pouco o ritmo, mas muitas vezes acontece o contrário, o psicológico toma conta do nosso corpo, as dores somem, e continuamos a correr no mesmo ritmo (ou mais forte ainda).
Quando estamos em uma prova, e sabemos que falta pouco para a chegada, aí sim que as dores somem e ainda por cima parece que ganhamos uma energia extra (uma reserva de combustível que estava guardada só para esse momento) e damos um sprint digno de Usain Bolt. Mas com que forças???
A revista traz quatros "dicas" de como enganar a dor ou então como transformar essa dor em força psicológica para continuarmos "no jogo".
1) Acredite que pode suportar.
Ou seja, autoconfiança!!! COnfie em você mesmo, acredite que você vai chegar ao final custe o que custar, e isso será de um auxílio monstruoso durante o seu "sofrimento".
2) Tente relaxar.
Se você estiver com dores musculares, procure relaxar grupos musculares que você não está utilizando, como os da face por exemplo.
3) Corte o negativismo.
É isso aí!! OTIMISMO FOREVER!! Se tiver sentindo dores musculares nas pernas, não pense "Tô fudido, já era" e sim "Isso aí, tô no páreo, estou a todo vapor".
4) Divida e conquiste.
Se você está correndo uma distância longa, não fique se preocupando com a chegada da prova que se encontra a quilômetros de distância. Pense que seu objetivo primeiro é chegar até o fim daquela reta. Ao chegar no fim da reta, mentalize como objetivo chegar até o outro lado daquela avenida, e por aí vai. Divida o percurso em "pontos" e mentalize como objetivo sempre o próximo ponto. Isso faz a prova parecer menos cansativa, menos dolorida e mais satisfatória, pois a todo instante você terá um motivo para "comemorar".
Mas o essencial mesmo é não temer e saber aceitar o sofrimento. Diz uma ultramaratonista que "a pessoa que sabe que o sofrimento está vindo, que o espera e o aceita, se sai melhor de quem teme a sensação".
Eu, particularmente, me considero um corredor louco por causa disso. Eu espero o sofrimento quando estou correndo, e quando ele chega, através do cansaço, das dores, da sede, ou de qualquer outra sensação, eu sinto que estou vivo. É nesse momento que eu sinto a alegria de estar correndo. E acho que é esse sentimento, essa loucura, que nos define. É essa a sensação que faz com que você seja uma pessoa diferente depois de ter completado uma distância inimaginável.
Já ouvi muitas pessoas falando que completar uma Maratona faz com que a gente mude ao ponto de separar nossa vida em a.M e d.M (antes da maratona e depois da maratona).
Quando perguntam porque eu corro, eu respondo que corro porque me sinto vivo.
Se me chamam de louco por correr, eu respondo que sou louco mesmo, mas sou feliz.
"Aqui tem um bando de louco. Loucos por ti, Corrida".
Um grande abraço
Bruno Thomaz, o louco.


