Eu quero, eu posso, eu consigo.

Apenas um textinho simples, sem muita estrutura poética (nenhuma na verdade). Somente algumas palavras que escrevi quando estava em um dia não muito inspirado!

Sem limite

Quatro e trinta da madrugada.
Na rua, a escuridão ainda predomina.
Levanto da cama e lavo o rosto.
Preparo um café com frutas.

Visto um short, uma camiseta e um par de meias.
Abro o armário dos calçados,
Preciso escolher meu parceiro de hoje.
Decisão tomada, calço os tênis.
Agora estou pronto para ser o dono das ruas.

Primeiras passadas
o corpo ainda está duro.
Atravesso a rua e sigo meu destino.
Meu destino nesse momento é não ter destino.

Não tenho limite, corro até onde der.
Não tenho medo do desafio.
Eu quero, eu posso, eu consigo.

Rua deserta.
Céu estrelado, Lua cheia.
Asfalto ainda frio.
Silêncio, ouço apenas minha respiração.
O momento é meu. Meu e do meu corpo.
De mais ninguém.

Não tenho limite, corro até onde der.
Não tenho medo do desafio.
Eu quero, eu posso, eu consigo.

Sem relógio, sem noção de tempo.
Sem preocupações.
Isso é vida, isso é viver.
Não adianta, sou um viciado.
Sorriso no rosto, estou endorfinado.

Sou um viciado,
viciado pelo prazer de correr.
Sou um vencedor,
vencedor na arte de viver.

Está chegando o fim,
Mas não me desanimo,
pois amanhã irei fazer
tudo outra vez.


Daqui a pouco, treininho de 13k pelas ruas de Porto Alegre, e São Pedro deu aquela força! Nublado, ventinho, temperatura beeeeeeeem agradável (24ºC)!! Vamos que vamos!

Temos blog novo na área. É o Correndo & Escrevendo, do amigo Marcelo Diniz. Vamos dar aquela força para o mais novo blogueiro e mostrarmos a ele a tradicional hospitalidade dos run-blogueiros!!

Um grande abraço a todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

Projeto Conte sua história [4]

E o nosso projeto "Conte sua história" continua de vento em popa. E dessa vez quem nos conta a sua história com a corrida é o meu amigo Luciano Vaghetti, daqui de Porto Alegre. Acredito que muitos de vocês irão se identificar com partes da história do Luciano.

Grande Bruno, aproveitando a idéia do "Conte sua história" estou aqui para colaborar e dividir com os leitores do teu blog os motivos que fizeram com que eu iniciasse nas corridas.


Meu esporte era o futebol, como o da grande maioria dos brasileiros do sexo masculino, desde pequeno não largava a bola de futebol influenciado pelo meu pai. Joguei em algumas escolinhas de futsal e quando atingi os quatorze anos comecei no futsal amador. Muitos treinos, campeonatos, vitórias, derrotas, tudo se encaminhava para que o futebol fosse o esporte que me acompanharia por muitos anos. Entretanto, com aproximadamente dezesseis anos encontrei um cisto ósseo no fêmur esquerdo, próximo ao joelho e tive que enfrentar uma cirurgia bastante complicada com enxerto ósseo no local. Passado o período de recuperação, quase um ano engessado desde a virilha até a ponta do pé, quando achava que tudo iria voltar ao normal, uma fratura no mesmo lugar fez com que eu voltasse para o gesso por mais seis meses. Além disso, por ser uma lesão óssea muito grande a fratura gerou uma rotação no fêmur, deixando um problema de simetria na minha perna esquerda.


Ainda tentei voltar ao futebol, mas nunca mais foi como antes, perdi a confiança, muitas lesões bobas e algumas de sérias de ligamento e menisco, me fizeram aos poucos perder a vontade de jogar. Sempre gostei muito de esportes, mas nenhum se comparava ao bom e velho futebol, até me encontrar com a corrida é claro.


Natural de Rio Grande, em 2003 vim pra Porto Alegre e meu esporte passou a ser a sinuca. Com ela veio junto a cerveja e o cigarro, acessórios imprescindíveis para se jogar uma boa sinuca. Diante disso o sedentarismo tomou conta do meu ser, barriga aumentando a cada semana, respiração diminuindo e assim caminhava a minha evolução, se é que dá pra chamar isso de evolução. Sempre digo que para largar um vício o mais fácil é arrumar outro, e foi o que eu fiz. Estava navegando na internet e vi que eu maio de 2007 aconteceria a vigésima quarta maratona de Porto Alegre, pensei que poderia completar os 10km da rústica, larguei o cigarro e comecei a treinar.


Completei a prova em 46 minutos e 53 segundos, um resultado maravilhoso para um marinheiro de primeira viagem. A prova foi sensacional, como é emocionante uma largada, só ouvindo o barulho dos milhares de tênis ao fazerem o contato com o solo, aquelas passadas marcadas, que só quem está concentrado na prova consegue perceber.


Aquele momento mexeu comigo, passou uma coisa tão boa que de lá pra cá já foram diversas provas, não larguei mais a corrida. Atualmente, treino quatro vezes por semana, com assessoria esportiva, meu objetivo é baixar dos 40 minutos nos 10km e já estou bem próximo. Além disso, neste ano planejo correr minha primeira maratona.


Embora a corrida me atraia por ser extremamente competitivo, hoje em dia, sinto muito prazer em correr na rua, com sol ou com chuva, me desligo completamente do mundo, é um momento que fico sozinho comigo mesmo, um momento em que conto as horas do dia para que chegue logo, louco pra correr sem rumo e sem destino, e quem sabe um dia tenha fôlego para fazer igual ao Forrest Gump.


Esse é o Luciano, na Corrida Eco Run de 2008.

Essa é a história do Luciano. Você quer ver a sua história por aqui? Então é só escrever e enviar para contato@correndonachuva.net. Mas não esqueça. Você tem que contar algo relativo à corrida! Como você começou? Aonde? Quando? Como foi sua primeira corrida? A sua emoção quando cruzou a linha de chegada?

Um grande abraço a todos
Bruno Thomaz

[ ... ]

Porto Alegre

E aos poucos o calendário 2009 de corridas de rua no Rio Grande do Sul começa a dar as caras. Depois de ficarmos janeiro inteiro sem nenhuma corrida por essas bandas, em fevereiro teremos duas em um mesmo fim de semana. No dia 14 de fevereiro teremos a 5ª Travessia Torres-Tramandaí, corrida de equipes com um percurso de 80k. E no dia 15, teremos a Supermaratona de Rio Grande, prova de 50k que tem um trajeto entre a praia do Cassino e a cidade de Rio Grande.

Mas vamos falar de Porto Alegre, como sugere o título desse post. Pois então amigos, em março teremos a estréia do Circuito das Estações da Adidas, com a etapa Outono, no dia 15 de março. As inscrições já estão abertas.



Abril, dia 25, vamos ter a Meia Maratona Noturna do CORPA, que além da corrida individual, terá revezamentos de duplas e quartetos e uma corrida participativa de 5k. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas através do site Ativo ou na sede do CORPA.



E finalmente em maio, a mais aguardada de todas as atrações desse início de ano. A 26ª Maratona Internacional de Porto Alegre, no dia 24 de maio, e que terá as inscrições abertas a partir do dia 1º de março.



Como sei que diversas pessoas virão de fora para essas provas, nas próximas semanas estarei em peregrinação por Porto Alegre, atrás de sugestões de hoteis e pousadas, para que os amigos possam se planejar com antecedência!



Me coloco a disposição de todos como recepcionista, guia turistíco e também como anfitrião. Quem está planejando vir para algumas dessas corridas, me avise para que possamos organizar algum encontro de corredores, quem sabe um jantar de massas ou algo do mesmo estilo.




Ps: As fotos não tem nada a ver com o texto. São somente para ilustrar um pouco a minha cidade, para aqueles que ainda não conhecem. Na primeira foto, temos o famoso pôr-do-sol do Guaíba, na segunda o Estádio Olímpico, na terceira a sede da prefeitura de Porto Alegre, na quarta temos uma vista aérea da Av Ipiranga com a Av Edvaldo Pereira Paiva e por último a Usina do Gasômetro, local de diversas provas de corridas em Porto Alegre.

Ps2: Clicando no nome das provas você é direcionado ao site que contém mais informações sobre elas.

Um grande abraço a todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

Projeto Conte sua história [3]

Hoje vamos dar sequência ao "Conte sua história no Correndo na Chuva", publicando um texto do amigo Samuel Moreira, de Salvador. A história dele é muito boa e engraçada. Vale muito a pena dar uma lida e até deixar seu comentário após!
Vamos ao texto!


Você é maluco?

Calma, vou explicar:
comecei a correr há pouco tempo, isso se comparado com as inúmeras pessoas que conheci participando das corridas. Sempre fui admirador do movimento e até então tinha elegido o futebol como o meu esporte preferido. O tempo foi passando, passando e fui percebendo que os babas aqui em Salvador, como chamamos o futebol na beira da praia, foram ficando mais chatos. Os meus sábados eram sagrados aliados a conveniência com a maré, pois quando estava baixa a bola rola melhor.

Há um pouco mais dos meus 42 anos a chatice foi aumentando, pois ficava cada vez mais explícito a rejeição pela minha presença nos babas da praia. Aí comecei a analisar a situação, e o porquê do futebol estar ficando chato. Observei que uma boa parte, talvez a maioria, das pessoas que assim como eu iam jogar futebol na areia, estavam sumindo, com o passar dos tempo. O interessante é que até então não conseguia saber o motivo, até que um dia cheguei cedo para garantir o meu lugar e estranhamente pelo ao menos para mim, não fui chamado.

Até que uma daquelas vozes ainda em transformação me disse:
- Tio, assim que um de nós cansar dá o lugar para o senhor.

Já havia ouvido em outros sábados coisa semelhante, mas não dei muito importância, mas dessa vez acredite, doeu. A promessa foi cumprida, pois um daqueles FDP, quer dizer, Federação Desportiva da Praia, cansou e me deu o lugar. Conclui que realmente o futebol estava ficando uma chatice.

E ai, o que fazer?
Como já disse sempre fui admirador do movimento e num belo dia, resolvi me inscrever numa corrida. A Corrida Rústica dos Bancários com aproximadamente 7 km, sem ter nunca feito um treino, sem preocupação de calçar um tênis adequado, e nem me lembro se estava de meia, e lá fui eu. Hoje já entendo o porquê do meu desespero na chegada, mas deixa pra lá.

Achei bacana, participei de outra, mais outra e quando me dei conta já estava até treinando. E o negócio foi se tornando tão grave que até planilha de acompanhamento comecei a fazer. Hoje tenho no meu histórico, 46 corridas oficiais incluindo 4 meias maratonas, uma São Silvestre, fazendo um total de 471.665 metros corridos equivalentes a 37h07min20s e mais 1.657.218 metros com 138h58min42s em treinamentos num período de 2005 pra cá. Bem, essa estatística fica por conta da maluquice.

O fato de ter trocado o baba pela corrida não acabou com aquela história de "tio", só que tem uma diferença já que hoje em dia ouço coisas como:
-Pô! O tio corre pra caramba;
-Duvido que você corra igual ao meu tio;
-Vai tio, vai tio...

Finalmente cheguei à conclusão que tenho uma infinidade de sobrinhos.

Bem, e o: "Você é maluco?"
Há, sim, sou maluco por corrida.

Essa é a história que o nosso amigo Samuel quis compartilhar conosco aqui no Correndo na Chuva. Você também pode ver o seu relato publicado aqui no Correndo na Chuva! Para isso, basta escrever o seu texto e enviar para contato@correndonachuva.net. Mas não esqueça! O texto tem que ser original e narrar sua história com a corrida, como começou, onde, quando, como foi a primeira prova, e por aí vai. Não perca tempo, envie a sua história de amor com a corrida!

Um grande abraço a todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

A importância do acompanhamento profissional

Depois que o horário de verão começou, a quantidade de pessoas que passaram a frequentar a pista atlética do CETE a partir das 18h simplesmente dobrou.

E esse aumento de pessoas deu mais visibilidade a alguns fatos já conhecidos, como:

1) Pessoas que praticam exercícios sem nenhuma orientação profissional.

Sim, com o aumento da população corredora, vimos também o aumento de corredores sem orientação. Não que isso seja prejudicial, mas sempre é recomendado ter uma orientação profissional ou de algum atleta experiente e rodado. Você aprende um pouco mais sobre os efeitos dos tipos de treinos em seu planejamento; Aprende a reconhecer e saber respeitar os limites do seu corpo; enfim, aprende a tornar o hábito da corrida um exercício saudável, e não prejudicial.

2) Pessoas que caminham na raia 1 e 2.

Pois é, essa é uma queixa que eu tenho há tempos, mas que com a superlotação de pessoas na pista aumentou e muito. Por mais que tenha uma placa na entrada pista explicando que a raia 1 e 2 são só para voltas rápidas, as pessoas insistem em caminhar por elas. Fica pior ainda quando é um grupo de pessoas que simplesmente ocupa o espaço das raias 1, 2 e 3. Eu ainda tenho esperança de que um dia as pessoas irão aprender a ler placas e ter o bom senso e o respeito mútuo. Só não sei se estarei vivo quando esse dia chegar.

3) Pessoas que correm com uma postura um tanto diferente (não vou dizer prejudicial pois é muito dependente do organismo de cada um).

Às vezes chega a ser engraçado ficar sentado do lado de fora da pista, esperando o treinador ou o sol baixar, e ver as pessoas correndo. Algumas correm sem mexer os braços, outras parecem que estão lutando boxe, outras parecem que estão tentando voar, outras parecem que estão fazendo educativos (mas não estão!!), etc. Claro que a questão da postura e técnica de corrida varia de cada um. A postura que pode ser melhor para meu corpo pode não ser a melhor para o seu, mas existe certos limites para a postura. Técnicas que impedem o gasto demasiado de energia em uma corrida longa. Um corredor com técnica boa completa os 10k menos estafado do que um corredor que não possui uma postura correta.

4) Pessoas que correm com roupas não apropriadas para a prática do exercício.

Mesmo sendo verão, aparecem pessoas de jeans, bermudão de skatista, camiseta polo de algodão, vestidos, e outras tantas que não o básico. O básico no caso é constituido de shorts ou sainhas, regata ou camiseta (poliamida, dry-fit, etc) e no caso do verão, com esse sol, um boné é quase indispensável.

5) Pessoas que correm com tênis não apropriados para a prática da corrida.

É tamanco (sim, tamanco), tênis de futsal, Nike Shox e outros tênis que sabemos não serem apropriados para o Running. Mas o mais engraçado é aqueles tênis que quando entram em contato com o solo soltam um barulho que me lembram um pato?!

6) Pessoas que fazem alongamentos um tanto "estranhos".

Quando eu não tenho nenhuma orientação e vejo o fulaninho ali fazendo um alongamento maneiro, eu resolvo imitar, mesmo não sabendo que músculo estou alongando. Parece besteira não é? Mas acontece e muuuuuuuito isso. Uns alongamentos que mais parecem contorcionismo, outros que mais parecem alongamentos de preguiçoso, etc. São tantas as variações dos alongamentos que poderia escrever um livro do mesmo estilo "1000 posições do Kama Sutra" hehehehe.

7) Pessoas passando mal por estarem mal hidratadas ou por insolação.

É verão. Temperaturas altas. Logo, perdemos mais água para o meio, então precisamos no reidratar durante o exercício. Mas parece que tem pessoas que não aprenderam isso e deixam para tomar água só depois que terminar a trigésima volta correndo ou caminhando. Resultado: pessoas sentando na beira da pista com a visão embaçada e correndo o risco de desmaiar. E para a insolação temos a cura, é só usar boné.

8) Pessoas que são mordidas pelo bichinho da corrida e não param mais.

Esse deve ser o lado bom. Talvez uns 10% das pessoas que começaram a correr por causa do verão irão continuar a correr no outono, inverno e primavera. Essas pessoas provavelmente irão procurar alguma assessoria esportiva ou grupo de corrida, buscar mais informações nas revistas e sites, e irão virar corredores rotineiros, e provavelmente estarão nas corridas de rua de Porto Alegre durante o ano, fazendo aumentar o número de participantes das provas por aqui! E já que em breve iremos ter o Circuito das Estações Adidas em Porto Alegre, a tendência é de que aumente gradativamente o número de novos corredores.

Esse é apenas um textinho básico para tentar demonstrar que correr não é só colocar o tênis e sair por aí. Tem diversos fatores envolvidos, e alguns desses fatores podem estar diretamente ligados à sua saúde. Então, se você tem um planejamento de correr à longo prazo, não hesite em procurar uma assessoria esportiva.

Para quem é de Porto Alegre e gostaria de trocar algumas idéias com um profissional, vou indicar o meu treinador, o Eduardo Saraiva, que você encontra pelo e-mail edusaraiva@hotmail.com ou pelo telefone (51) 9708-2783.

E sim, estou usando o espaço do meu blog para fazer uma propaganda da Assessoria Esportiva que frequento, mas é por uma boa causa. Ajudar os amigos corredores de Porto Alegre!

Um grande abraço a todos
Bruno Thomaz

[ ... ]

Projeto Conte sua história [2]

Hoje quem conta a sua história no Correndo na Chuva é o amigo Luiz Sebastião, lá da cidade de Olinda-PE.

Ele nos conta sobre a sua primeira participação na tradicional corrida de São Silvestre e o texto está muito bom, apesar de um pouco extenso, mas vale muito a pena dar uma lida e depois comentar o que achou!


UMA CRIANÇA NA CORRIDA DE SÃO SILVESTRE - Luiz Sebastião Jr.

Em alguns momentos de nossas vidas é preciso ouvir a criança que vive dentro da gente, é preciso deixá-la sair, é preciso render-se às suas vontades.

Lembro como se fosse hoje dos finais de ano de minha infância, dos dias 31 de dezembro, da expectativa pelo ano novo que chegava, das mudanças que ocorriam naquela época do ano e de como, naquele dia específico, ficava vidrado na TV assistindo a um evento que à primeira vista não parecia ter nada a ver com os últimos momentos que antecediam às festas de reveillon: milhares de pessoas, pouquíssimas famosas, uma multidão de anônimos, correndo, algumas com faixas e fantasias, pelas ruas de São Paulo, na famosa Corrida de São Silvestre. Lembro de ficar dando voltas no jardim de casa me sentindo o próprio Rolando Vera, atleta equatoriano, campeão quatro vezes consecutivas naquela época. Recordo de dizer, para mim e para todos, que um dia iria correr a São Silvestre. Obviamente riam de mim e certamente pensavam algo como: “criança tem cada idéia!”

Alguns dizem que a gente cresce e acaba perdendo a ingenuidade, a pureza e a alegria da criança que um dia fomos. Não acredito nisso, apenas acabamos por esconder da sociedade o que de melhor temos, por medo de sermos ridicularizados. Adão e Eva foram crianças que ao crescer perceberam-se como realmente eram, e ficaram com vergonha de assim serem. Sentiram-se ridículos e passaram a usar as folhas de parreira da ignorância e da arrogância, encondendo a beleza de admitirem-se, como diz o grande Gonzaguinha, eternos aprendizes. A vontade de ser pequenos deuses nos faz esquecer de ser quem somos, belos, ingênuos, puros, felizes, aprendizes eternos. Passamos a nos preocupar com o pecado original ao ponto de esquecermos que originalmente somos mesmo inocentes, que antes do pecado há a inocência original.

Mas como disse no começo, um dia essas coisas voltam à tona, seja por mudança gradual ou, como é mais comum, por mudanças abruptas que nos fazem repensar nossos destinos, e mesmo que este “repensar” não altere completamente nossos caminhos, ao menos nos fazem trilhar, durante algum tempo, por trajetos pouco comuns. No meu caso um desses trajetos foi de exatos 15km, os 15.000 metros que separam a largada da chegada na Corrida Internacional de São Silvestre.

Setembro de 2007, um revés profissional precipitou-se em meu caminho. Nessas horas olha-se para o presente, para o futuro e bastante para o passado. Nesse momento, cruzo com o Luiz criança, correndo em torno de um “pé de flor” imaginando que os poucos metros daquela circunferência eram semelhantes ao asfalto paulistano. E num gesto de impulso lá estava eu, na internet, fazendo minha inscrição, comprando passagens aéreas, reservando hotel, correndo na beira-mar de Olinda, no começo mal agüentando 1km, mas persistindo dia após dia.

Mas não era apenas correr a São Silvestre que eu queria, meu objetivo era também retornar ainda em 2007 para casa. Queria “passar o ano” com minha família. No papel o plano estava bem delineado: corrida, corrida para o hotel, corrida do hotel para o aeroporto (Guarulhos), vôo saindo às 21h. Duração prevista: 3 horas e 20 minutos. Fazendo as contas não daria tempo, mas bendito horário de verão que o Nordeste não segue, de modo que se ganha uma hora voando-se contra o fuso. Previsão de chegada: 40 minutos antes de 2008 começar a explodir em fogos de artifício. Família meio contrariada com o rompante de alguém que sempre foi muito certinho. Por dentro, orgulhosa; por fora preocupada. Tempos de problemas aéreos, atrasos em aeroportos, probabilidade alta de entrar em 2008 sentado no chão frio de um aeroporto. Mas o processo já havia sido iniciado e havia outra dificuldade: não conhecia São Paulo! Bendito seja o Google Maps e o Motorola A1200. Nada como a tecnologia!

Entre passeios e descansos (repouso é importante) chega o grande momento. A Av. Paulista parecia com o carnaval da minha Olinda, sem as ladeiras (descobriria eu mais tarde que uma ladeira em especial me esperava em poucas horas). Gente fantasiada, sorrindo, tirando fotos, enfim, uma festa onde éramos ao mesmo tempo convidados e homenageados. Eu estava em uma competição esportiva, oficial, profissional, sem a mínima chance de fazer um tempo menor que 2h, mas o povo estava lá para torcer por nós. Onde isso acontece? Já imaginaram um Fla x Flu, um Corinthians x Palmeiras, um Náutico X Sport (só pra lembrar da minha terra) e ao final do jogo o público esperar para ver uns peladeiros jogarem? Pois bem, os quenianos já haviam ganho a corrida a mais de uma hora, mas muita gente continuava ali, principalmente na tal ladeira, na inacreditável subida da Brigadeiro Luís Antônio, dando força para que não desistíssemos. Só a São Silvestre permite isso, esquecer de tempo e de posição, e pensar apenas em cruzar a linha de chegada.

Mas eu pulei o início e fui quase para o fim. Voltemos... vai se aproximando a hora da largada e a ampla Av. Paulista parece encolher, até o ponto em que você percebe que não há mais como sair de onde está. A ansiedade vai para as alturas, o narrador ao longe anuncia a largada, bolas de gás são lançadas no céu, o barulho dos fogos de artifício ressoam pelo ar, todos batem palmas e... e... e... e continuamos ali parados. É nesse instante que eu percebo que antes da Corrida de São Silvestre, existe a “Parada de São Silvestre”, de onde eu estava ficamos cerca de seis minutos parados. Aos poucos começamos a nos arrastar bem lentamente: a “Arrastada de São Silvestre”. Mais alguns minutos e conseguimos enfim... caminhar (“Caminhada de São Silvestre”). Após doze longos minutos eis que me deparo com a placa de... LARGADA.

O começo é uma maravilha, todos sorrindo, aplausos, o Shrek e um dos Transformers correndo ao meu lado, descida da Consolação, as pessoas se confraternizando, pouco se importando com o tempo, brincando com o semáforo que acabara de ficar vermelho dizendo que devíamos parar. Contudo, o melhor foi ver os corredores cantando uma música bem conhecida ao dobrar uma certa esquina: “alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a Av. São João”. Tem coisas que a Globo não mostra!

Calor escaldante! A metereologia informou que o dia anterior havia sido o dia mais quente de 2007 na capital paulista e o dia seguinte não devia estar perdendo por muito. Água? Só no km 4, um absurdo, e ainda mais quente. Até isso virou piada no orkut, pois alguém muito espirituoso justificou que a água quente devia ser para honrar o pacote de café que veio no kit do corredor, brinde de um dos patrocinadores. Bem, mas isso é um detalhe...

Km 5, Elevado Costa e Silva, primeiro trecho em aclive, os efeitos da empolgação passando e de repente a gente se vê perguntando a si próprio o que se está fazendo ali. Um dos voluntários, não sei se querendo estimular ou fazer gozação diz: “ah, se continuar assim não completa os 15km". Provavelmente o comentário era para que corréssemos mais rápido, mas aí me lembro da fábula do Ésopo, da lebre e da tartaruga, que deve-se ir devagar se vai-se ao longe. Diminuí o ritmo, eu estava só em São Paulo e lembrei-me que até a virada de 2007 para 2008 eu teria que enfrentar outras corridas. Portanto, não podia exagerar!

Km 8 e um dos momentos mais cruciais segundo meu planejamento. Se fosse desistir deveria ser ali, pois passando daquele ponto, voltar demoraria mais do que completar a corrida. Pensei: “só em estar aqui já é muito!, vou voltar para o hotel e começar meu regresso com mais tempo de sobra”. Aí a criança voltou a incomodar, a querer sair de dentro e com ela saiu também uma força estranha, talvez a mesma força que o Caetano disse que fazia o Roberto Carlos cantar. Resolvi continuar...

Tudo ia bem, até o ritmo melhorara, faltavam apenas 2km, só que, se no meio do caminho do Drummond havia uma pedra, no meio do meu caminho havia a já comentada “subida da Brigadeiro”. Contornar a esquina que me levava novamente à Paulista e ver uma placa escrita CHEGADA, parecia um sonho. Mas quando o sonho se mostrou bem real, o cansaço sumiu, a prudência se escondeu e se um dia eu conseguir correr os 15km naquele ritmo que corri os últimos 200m, é melhor que os quenianos se cuidem...

Brincadeiras à parte, cruzar a linha de chegada junto com o Luiz criança que agradecia pelo Luiz adulto ter tornado aquele sonho real, foi uma das melhores experiências da minha vida. Para encurtar a história, o plano de estar junto à família à meia-noite, a despeito de todo o caos aéreo fartamente noticiado naqueles dias, também se tornou realidade.

Às margens da praia de Boa Viagem, vendo o show pirotécnico ali apresentado, a medalha de participação na corrida era mais do que uma medalha, era a comprovação de que aqueles momentos foram reais, que embora nada pudesse garantir que 2008 fosse ser realmente um feliz ano novo, ao menos aquele dia seria novo sempre que eu fizesse sua memória, até porque etimologicamente fazer memória não é apenas recordar o fato, mas sim vivenciá-lo novamente em cada recordação, é acabar com o paradigma do tempo – passado, presente, futuro – é criar um rito, que na definição da raposa do livro do pequeno príncipe, é fazer com que um dia seja diferente dos outros dias, uma hora seja diferente das outras horas.


Esse é o relato do Luiz. Você também pode ver o seu relato publicado aqui no Correndo na Chuva! Para isso, basta escrever o seu texto e enviar para contato@correndonachuva.net. Mas não esqueça! O texto tem que ser original e narrar sua história com a corrida, como começou, onde, quando, como foi a primeira prova, e por aí vai. Não perca tempo, envie a sua história de amor com a corrida!

Um abraço para todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

A Corrida e a leitura...

Dizem que correr é só pegar um par de tênis e sair pra rua. Mas muitas vezes falta um estímulo, uma palavra de incentivo ou qualquer ato que seja o "estopim" para que alguém finalmente saia do sofá e vá dar as primeiras passadas. Depois disso, o bichinho da corrida faz a sua parte e a pessoa se torna uma "dependente "física"" da corrida. Pronto, é mais um integrante no mundo running!

Para aqueles que gostam de ler quando não estão correndo (porque deve ser díficil correr lendo ou ler correndo né?), segue abaixo uma lista de livros que falam sobre superação, emoção, corrida, maratona, etc... Ou seja, uma lista perfeita para quem é viciado nesse esporte.

Começamos a lista com um livro que conta a história de um dos maiores ídolos do atletismo brasileiro. Que com seu amor ao esporte, sua dedicação e seu carisma conquistou muito mais do que somente medalhas e troféus. Conquistou o respeito e a admiração do povo brasileiro.

O livro Vanderlei Cordeiro de Lima: a Maratona de uma Vida, escrito por Renata Adriao D'Angelo, conta a história da vida desse sujeito excepcional que é o Vanderlei Cordeiro de Lima, e que eu tive a oportunidade de conversar com ele e perceber o quão humilde ele é.



Dando sequência à nossa lista, trago um livro que infelizmente não tem tradução para o português, mas a leitura em inglês não é dificil para quem tiver um conhecimento básico de inglês, já que muitos termos são conhecidos para quem tem convívio com o mundo running. É o livro The Extra Mile da super ultramaratonista Pam Reed, em que ela conta a sua trajetória na Badwater de 2002. É uma ótima leitura, principalmente àqueles que são chegados em ultramaratonas.



E não podia deixar de fora o livro do jornalista gaúcho Rodolfo Lucena, que após diversas reportagens sobre maratonas e corridas mundo afora, juntou tudo e criou o livro Maratonando: Desafios e Descobertas Nos Cinco Continentes. Para descrever o livro, Lucena disse:

"Minha intenção, desde a primeira reportagem, foi mostrar que correr uma maratona envolve experiências muito diversas, aprendizados diferentes, em vários níveis: o físico, o autoconhecimento e suas relações com as pessoas e o mundo externo."


O jornalista e colunista da Folha de SP ainda diz que o livro foi produzido não somente para atrair o corredor, e sim o público "leigo", ou como ele mesmo definiu, aqueles que podem não correr ou praticar esportes, mas se interessam por enfrentar desafios e que procuram na vida cotidiana, romper as barreiras que a própria vida tenta impor.



Acredito que por hoje está bom, comprem um desses três, se divirtam lendo, que em breve estarei trazendo mais livros para a lista. Tem alguns livros de corrida que ainda não li, mas já coloquei eles no "carrinho de compras" do Submarino.com para em breve estar adquirindo, e assim que terminar a leitura poder recomendar para os meus amigos leitores.

No sábado estarei postando um novo texto do projeto "Conte sua história no Correndo na Chuva". Se você quer enviar o seu, não perca tempo! Vá para o word e coloque os neurônios para funcionar! Envie para o contato@correndonachuva.net que em breve ele poderá ser publicado por aqui!

Um grande abraço a todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

Projeto Conte sua história

Hoje, a partir desse post, estou colocando em prática uma idéia que há tempos estou desenvolvendo. Até criei um projeto de nome "Conte sua história no Correndo na Chuva", e consiste de corredores amadores (como eu) escreverem a história da sua vida com a corrida. Porque começou a correr, quando, aonde, a primeira vez que correu uma prova, etc. Assim como eu já contei diversas vezes sobre a emoção que senti ao completar minha primeira prova, achei que muitas outras pessoas iriam querer ter o gostinho de usar o meu humilde espaço na blogosfera para contarem a sua história também.

Quem quiser participar, sinta-se a vontade para escrever seu texto (podendo ser ilustrado), enviando para o e-mail do blog, o contato@correndonachuva.net.

Acredito que desta forma, podemos incentivar muitas pessoas a começarem a correr. Pessoas que já sentem um pouco de vontade, só faltando mesmo o incentivo. Espero que essa idéia prospere e tenha vida longa.

Para dar a primeira passada então, um belo texto da minha amiga Regianne Casseb, de Montes Claros, MG.



CORRENDO NA CHUVA - Regianne Casseb

“- Correndo na chuva?
- Sim, e o dono do blog vai publicar.
- Por que este nome para um blog?
- Sinceramente? Nunca parei para pensar nisso. Mas faz muito sentido...”

Quando eu era criança, sempre gostei de andar na chuva...da sensação de liberdade que isso me dava.

Na virada do ano 2005 para 2006, a agenda nova tinha um campo para ser preenchido, na verdade uma página inteira. Ali eu escrevi só uma palavra: CORRER!

Sim, em 2006 eu queria correr. Mas como assim, correr? Praticante de musculação desde 1992, com intervalo somente numa das gestações, me sentia pesada, sem resistência aeróbica. As caminhadas eventuais não me estimulavam...Queria correr!

Curiosamente, tinha um bloqueio emocional...uma vergonha de correr na rua, onde todos me veriam, sei lá, desengonçada? Por isso, a decisão, assim...objetiva, pensada!

Quando dei meu primeiro trote, e ‘morri’ em dois minutos, achei que nunca conseguiria. Mas fui atrás de informação, perseverei e daí a alguns meses trotava 30 minutos seguidos. Contratei uma personal, que montou um programa detalhado e me acompanhava uma vez por semana. Funcionou. Consegui evoluir e passei a me considerar uma corredora de rua.

O corpo melhorou, a disposição...Nossa!!! Pequenos detalhes valiosos. Incorporei definitivamente a corrida à minha rotina de atividades físicas. Com uma vantagem, levo para onde for.

Na verdade não tinha e não tenho grandes ambições na corrida. Aos poucos fui vendo que para mim é melhor assim mesmo. É suficiente preservar somente o prazer, sem os ‘ferimentos de guerra’ das longas distâncias. Quero mesmo é sentir o sol e o vento no rosto, me abstraindo de todo o movimento das ruas, levar minha prática para qualquer lugar, conhecendo novos trajetos, parques, cidades, pessoas. Isso me basta!

Voltando ao nome do blog, para quem corre na rua, como eu, a chuva pode ser vista como um obstáculo. Acho que ‘Correndo na Chuva’ na verdade retrata a gana que temos de colocar o tênis e sair correndo, faça sol ou faça chuva. Ou seja, é aquele contrato celebrado pelo corredor consigo mesmo...

Nosso ‘compromisso’ com a corrida é sacramentado a ponto de nos fazer declinar do convite feito pelo sofá e pela TV, quando começa aquela chuvinha gostosa pingando na janela.

Melhor ainda, é quando ela – a chuva - nos pega no meio do treino, cansados, suados, mas já endorfinados. Os primeiros pingos nos refrescam, os seguintes nos ensopam, e, continuando a chuva, outros nos atrapalham a visão, encharcam as meias, mas lavam nossa alma...Então só penso em abrir os braços e fazer o vôo de Vanderlei Cordeiro de Lima. Tirem todos das ruas, parem os carros, pedestres, bicicletas. Estou correndo de olhos fechados. A rua é MINHA!!!

Faço agora a cena principal do meu filme, como Gene Kelly, em “Dançando na Chuva”, sou livre, feliz, tenho absoluto controle do meu corpo, tempo e espaço. Estou voando."
[ ... ]

Corrida de São Sebastião - RJ

Hoje, terça-feira, foi dia de Corrida de São Sebastião, na cidade do Rio de Janeiro. A prova, que tem um percurso de 10k, ocorre desde 1983 e já se tornou parte do calendário da cidade, sendo tradicionalmente aonde a maioria dos corredores "abre" seu calendário de corridas anual.

Cerca de 8 mil atletas competiram, e no fim a vitória no masculino foi de um brasileiro. Sim, pasmem! O brasileiro Damião de Souza venceu a prova, e o tanzaniano Marco Joseph, vencedor da Corrida de Reis há alguns dias atrás, foi o segundo colocado. Aliás, os dois fizeram um belo duelo no quilômetro final da prova, com uma bela dose de emoção extra com a ultrapassagem de Damião e com a chegada 3 (TRÊS) segundos a frente do vice. O tempo do campeão foi de 29'42".

Mas as boas notícias ficam por conta da prova feminina, mesmo que a vencedora tenha sido a tanzaniana Sara Makera (34'06"), o segundo lugar da Marily dos Santos (34'49") me traz um gosto especial, pois estava torcendo por ela nessa prova.



Após a prova, Marily falou:
“Foi uma prova excelente, muito curta e com um percurso plano. O tempo estava úmido, do jeito que eu gosto. E Sara é uma atleta muito forte, que corre na casa dos 32 minutos, coisa que nenhuma mulher no Brasil faz. Chegar perto dela no que, para mim, é o fim de um ciclo de treinamento, é muito bom”



A outro boa notícia do dia ficou por conta de uma catarinense tricampeã da Maratona de São Paulo e também tricampeã da Maratona de Porto Alegre, Márcia Narloch que hoje voltou às corridas após um ano e meio parada e conquistou o terceiro lugar com um tempo de 36'20".

Marcinha, seja bem vinda de volta!!!

E hoje também foi dia de voltar aos treinos (de verdade!). Com um teste de 2400m (que fiz em 10'20") e depois 8k em um ritmo leve, pude sentir que agora o bicho vai começar a pegar, e é assim que eu gosto!

Um grande abraço a todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

Limitação dos estrangeiros em provas nacionais

Recebi uma mensagem que me informava de que a CBAt já haveria regulamentado a questão da participação de estrageiros nas provas nacionais, e fui atrás de mais informações sobre o assunto, já que rolou muita discussão em blogs e comunidades sobre o tema, mas sempre na base do "achismo", inclusive muitas pessoas opinando sem conhecimento algum do tema e falando muita besteira.

No site da CBAt, no item "Norma 07" que corresponde à norma de RECONHECIMENTO E HOMOLOGAÇÃO DE CORRIDAS DE RUA PELA CBAt, no artigo 6º, está escrito assim:

Art. 6º - As corridas de rua realizadas no Brasil são destinadas, em princípio, à participação de atletas brasileiros natos ou naturalizados. A participação de atletas estrangeiros, sem prejuízo do disposto na Norma 9 – Participação de Atletas Estrangeiros no Atletismo Brasileiro, da CBAt, obedecerá aos seguintes limites:


1. – Classe A-1 - Provas Nacionais: podem ser inscritos até 3 (três) atletas por país no masculino e 3 (três) atletas por país no feminino.
2. – Classe A-2 – Provas Nacionais: podem ser inscritos até 2 (dois) atletas por país no masculino e 2 (duas) atletas por país no feminino.
3. – Classe B - Provas Estaduais: pode ser inscrito 1 (um) atleta por país no masculino e 1 (uma) atleta por país no feminino.

# 1º - Os convites para participação de estrangeiros devem ser emitidos, especificamente, pelos organizadores das provas, devendo ser cumprida a legislação específica para entrada dos mesmos no Brasil, no tocante a vistos, bem como as Normas da IAAF para tal.
# 2º - Todas as exigências e procedimentos para a participação de atletas estrangeiros constam da Norma 9 – Participação de Atletas Estrangeiros da CBAt, em vigor a partir de 1º de março de 2009.

Bem, tirando por base o artigo acima, podemos concluir de que a idéia da regulamentação não é "proibir" os estrangeiros de competirem, como muitas pessoas afirmaram nas discussões das comunidades no orkut. A idéia não serve para aumentar a chance dos brasileiros vencerem as competições, e sim evitar uma "invasão" estrangeira nas nossas provas de rua, prejudicando assim o crescimento do esporte no Brasil.

Mas isso vale para a São Silvestre, para a Meia Internacional do Rio, etc??

Não, a regulamentação é bem específicia: Se refere somente a provas nacionais. A São Silvestre é uma prova internacional, logo os quenianos, colombianos, etíopes e seja lá quem for poderão participar, assim como de todas as provas internacionais do calendário brasileiro.

Em tempo: Após a publicação desse post a CBAt divulgou uma alteração em seu texto afirmando que a regulamentação é válida sim para provas de caráter internacional. Mas que nessas provas poderão ser feitas exceções, ficando a cargo da entidade organizadora da prova. Ou seja, na São Silvestre e outras provas internacionais, haverá a regulamentação de estrangeiros, mas a organização poderá não respeitar essa limitação e enviar cartas-convites a mais integrantes de um mesmo país.

Mas o Marílson não ganhou duas vezes em New York?

Sim, mas a NYC Marathon é uma prova internacional. Alguém já viu o Marílson ganhando alguma prova em New Jersey?

Mas qual efeito essa norma terá na prática?

Vai frear um pouco a exploração de atletas.

Como assim?? Segue abaixo um pequeno exemplo de como funciona essa exploração:

Um treinador qualquer entra em contato com a federação de atletismo do quênia, esses mandam uns 4 ou 5 atletas novos para o Brasil. O treinador estuda quais as provas que tem premiação boa (independente de ser corrida nacional ou internacional) e inscreve os seus atletas. Os quenianos vão lá, faturam a prova, e 70% do valor do prêmio vai para o técnico, e os outros 30% ficam com os vencedores. Claro que esses 30% deixa os quenianos satisfeitos afinal estão em começo de carreira e ganham bem mais do que ganhariam no quênia.

Em tempo, acredito que o intercâmbio de atletas é válido, para trocar experiências, se adaptar a novos climas, adquirir novas técnicas. Mas isso é uma coisa e o exemplo acima é outra coisa.

Enfim, esse assunto é um tanto polêmico, pois como citei no início, muita gente opina sem conhecimento algum sobre o assunto. Cheguei ao extremo de ver no orkut os seguintes argumentos:

"Se seguirem essa lógica da cbat, os estados unidos não jogam mais basquete nas olimpíadas, o Brasil não joga a liga mundial de vôlei, a copa do mundo de futebol de salão e copa do mundo de futebol e o Phelps nunca mais entra numa piscina... ô pensamento pequeno... uma mente estratégica desenvolveria nossos atletas para tornarem competitivos e não criaria uma reserva de mercado... melhor deixar de chamar a corrida de internacional se assim for... espero que sejam coerentes!"

e também:

"Penso que os quenianos devem correr aqui sim. Eles não podem ser punidos por serem melhores e por se esforçarem mais. O que não pode é brasileiro ficar se iludindo com vitórias com tempos medíocres. Se você quer ser bom, deve correr com os melhores. Imagine se a maratona de nova iorque vetasse a participação de estrangeiros. Marílson nunca teria tido a oportunidade de vencer."

Muita gente reclama que nosso país só pensa em futebol, que a iniciativa pública e privada não dão incentivos ao atletismo, que na sua cidade tem 50 campos de futebol e nenhuma pista de atletismo. Pois então, em um país que o atletismo praticamente "não existe", o que mais aparece é um bando de estrangeiros que disputam até as provas no interior do Acre só por causa da premiação.

Eu acredito que essa limitação de participação estrangeira só vem a ajudar o esporte no Brasil. OU JÁ NÃO EXISTE UMA REGRA DE LIMITAÇÃO DE JOGADORES ESTRANGEIROS NO FUTEBOL DO BRASIL? Porque será que eles limitam os estrangeiros nas equipes brasileiras? Será que é para obrigar os times a investirem nas categorias de base, fazendo com que surja uma promessa de craque a cada dia?

Fica o texto para reflexão de vocês...

Um grande abraço
Bruno Thomaz

[ ... ]

O sofrimento e o prazer de correr

Há tempos que venho querendo falar sobre esse assunto, mas nunca conseguia escrever um texto que prestasse ou que eu achasse que vocês pudessem gostar, mas lendo uma reportagem que saiu na edição de janeiro da revista Runners World Brasil, me senti um pouco mais seguro para dissertar sobre tal assunto.

E que assunto é esse? Esse assunto é melhor apresentado na forma de uma pergunta, então aí vai: "Porque muitos corredores gostam de "sofrer" com as dores durante uma corrida ou um treino?"

Eu sou um que quanto mais sofrida, mais prazeirosa vai ser aquela corrida. E igual a mim conheço muitos outros. Então, porque a sensação "boa" quando estamos com dores? Pelo simples fato de sentirmos que estamos "no jogo"? Ou seria pelo fato de estarmos levando nosso corpo ao limite, provocando um êxtase?

Nosso cérebro emite a sensação de dores como um aviso de que estamos no limite, que é para diminuirmos um pouco o ritmo, mas muitas vezes acontece o contrário, o psicológico toma conta do nosso corpo, as dores somem, e continuamos a correr no mesmo ritmo (ou mais forte ainda).

Quando estamos em uma prova, e sabemos que falta pouco para a chegada, aí sim que as dores somem e ainda por cima parece que ganhamos uma energia extra (uma reserva de combustível que estava guardada só para esse momento) e damos um sprint digno de Usain Bolt. Mas com que forças???

A revista traz quatros "dicas" de como enganar a dor ou então como transformar essa dor em força psicológica para continuarmos "no jogo".

1) Acredite que pode suportar.
Ou seja, autoconfiança!!! COnfie em você mesmo, acredite que você vai chegar ao final custe o que custar, e isso será de um auxílio monstruoso durante o seu "sofrimento".

2) Tente relaxar.
Se você estiver com dores musculares, procure relaxar grupos musculares que você não está utilizando, como os da face por exemplo.

3) Corte o negativismo.
É isso aí!! OTIMISMO FOREVER!! Se tiver sentindo dores musculares nas pernas, não pense "Tô fudido, já era" e sim "Isso aí, tô no páreo, estou a todo vapor".

4) Divida e conquiste.
Se você está correndo uma distância longa, não fique se preocupando com a chegada da prova que se encontra a quilômetros de distância. Pense que seu objetivo primeiro é chegar até o fim daquela reta. Ao chegar no fim da reta, mentalize como objetivo chegar até o outro lado daquela avenida, e por aí vai. Divida o percurso em "pontos" e mentalize como objetivo sempre o próximo ponto. Isso faz a prova parecer menos cansativa, menos dolorida e mais satisfatória, pois a todo instante você terá um motivo para "comemorar".

Mas o essencial mesmo é não temer e saber aceitar o sofrimento. Diz uma ultramaratonista que "a pessoa que sabe que o sofrimento está vindo, que o espera e o aceita, se sai melhor de quem teme a sensação".

Eu, particularmente, me considero um corredor louco por causa disso. Eu espero o sofrimento quando estou correndo, e quando ele chega, através do cansaço, das dores, da sede, ou de qualquer outra sensação, eu sinto que estou vivo. É nesse momento que eu sinto a alegria de estar correndo. E acho que é esse sentimento, essa loucura, que nos define. É essa a sensação que faz com que você seja uma pessoa diferente depois de ter completado uma distância inimaginável.

Já ouvi muitas pessoas falando que completar uma Maratona faz com que a gente mude ao ponto de separar nossa vida em a.M e d.M (antes da maratona e depois da maratona).

Quando perguntam porque eu corro, eu respondo que corro porque me sinto vivo.
Se me chamam de louco por correr, eu respondo que sou louco mesmo, mas sou feliz.

"Aqui tem um bando de louco. Loucos por ti, Corrida".

Um grande abraço
Bruno Thomaz, o louco.
[ ... ]

Um ano de Adidas e Quatis

Estive conversando com o Eduardo (meu treinador) sobre as provas que pretendo fazer em 2009. Nada muito diferente do que já comentei por aqui, mas com a aproximação do início do calendário de corridas, o planejamento começa a ganhar força e corpo e por isso a importância de se discutir o calendário de corridas novamente. Pelo menos o primeiro semestre...

A prova que abre meu calendário é a etapa outono do Circuito das Estações Adidas, cuja inscrições já estão abertas no site do Circuito.

Irei correr a distância de 10k. Na semana seguinte já irei correr a Track & Field Run Series, também 10k.

Em abril um bom descanso das provas, mas não dos treinos, e no fim de maio uma rústica de 10k que ocorre junto com a Maratona Internacional de Porto Alegre (dia 24/05).

No dia 07 de junho pretendo correr a XIII Corrida dos Carteiros, pois é a prova que fiz minha primeira corrida (em 2008) e pretendo voltar, mais pensando em reviver aquele momento especial do que para propriamente competir. No dia 28 desse mesmo mês ocorre a segunda etapa do Circuito das Estações Adidas, a etapa Inverno. Talvez correndo mais uma vez os 10k.

E no início de julho, mais precisamente no dia 05, a prova-chave (ou alvo, objetivo, etc). A 3ª Meia Maratona das Cataratas, em Foz do Iguaçu. Será a minha estréia em meias e eu estou com o objetivo de completar os 21,1k próximo do tempo de 01:45:00.



Esse é o calendário de provas do meu primeiro semestre de 2009. Espero que dê tudo certo e que eu consiga cumprir o cronograma e também atingir meus objetivos dentro desse planejamento.

E falando em planejamento, hoje foi o último treino do período de transição! A partir da semana que vem volto a treinar "de verdade"!! Ainda bem, porque já não estava mais aguentando ficar só nos trotinhos leves hehehehe...

Um grande abraço a todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

Tragédia no RS

Sei que não é o propósito desse blog, talvez muitas pessoas achem que perderam seu tempo lendo esse post, mas é um fato que me gerou tamanha comoção e tristeza que eu não posso deixar passar em branco.

Na noite de quinta-feira, dia 15/01, o ônibus que transportava a delegação do Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas não conseguiu vencer uma curva na estrada da cidade de Canguçu e acabou tombando em um precipício da altura de 15 andares de um prédio. Os jogadores Cláudio Millar e Régis Gouveia, mais o preparador de goleiro Giovani Guimarães faleceram. Cláudio Millar, uruguaio, era um dos maiores ídolos recentes da história do Brasil-PE.

Outros tantos ficaram feridos e foram encaminhados para hospitais na região. O goleiro Danrlei (ex-Grêmio e um dos meus ídolos) foi um dos primeiros a sair do ônibus, foi até a casa de um morador de Canguçu, e pediu ajuda, e após voltar para o local que o ônibus estava tombado, ajudou a retirar 8 pessoas de dentro dele, mesmo estando com uma fratura no braço esquerdo.

Diversos clubes já manifestaram apoio em seus sites oficiais, entre eles o Grêmio, Inter, Novo Hamburgo, Caxias e o Corinthians-SP.















Acima a foto do ônibus tombado, e a foto do velório dentro do estádio Bento Freitas em Pelotas.

Um abraço a todos
Bruno Thomaz, de luto e triste.
[ ... ]

Haile não bate o recorde em Dubai

O atleta etíope Haile Gebrselassie, atual detentor do recorde mundial em Maratonas (02:03:59) ganhou novamente a Maratona de Dubai, mas não conseguiu baixar a sua marca, como era esperado pelos fãs do mundo runner.

Com um tempo não-oficial de 02:05:29, o etíope cruzou a linha de chegada, marcando o oitavo melhor tempo da história das maratonas masculinas. Na Maratona feminina, a vencedora foi uma compatriota do Haile, a também etíope Bezunesh Bekele com um tempo de 02:24:03.

Segundo Haile, a elevada temperatura o prejudicou um pouco, e eu não tiro a razão dele, afinal nós que somos amadores já costumamos sofrer sob altas temperaturas, imagina ele que corre num ritmo impressionante durante toda a prova...

A prova acabou de terminar (03h do horário de Brasília) e ainda não consegui reunir mais informações, mas até a tarde desta sexta-feira já deve estar saindo em outras fontes de informações!!

Um grande abraço
Bruno Thomaz, de volta após pequenas férias.
[ ... ]

A primeira corrida...

Amigos leitores,
como estou um pouco impossibilitado de atualizar o blog com novos assuntos, visto que estou em outra cidade e sem muito tempo para me atualizar das notícias do esporte, resolvi republicar alguns posts, a exemplo do que fiz no fim de dezembro com os posts "Benefícios da Corrida" e "Esses não-corredores". O post que trago do fundo do baú hoje foi o primeiro post desse blog, sobre a primeira corrida desse cidadão que vos escreve.

Um abraço a todos!!

Há pouco mais de um ano, eu estava em frente a TV, acompanhando o Atletismo no Pan do Rio, quando na prova dos 3000m com obstáculos feminino, uma atleta baixinha, magrinha e bonita saiu correndo na frente de todo mundo, e ganhou a medalha de ouro e ainda bateu o recorde da prova. O nome dela era Sabine Heitling, e ela representava não o Brasil, e sim o Rio Grande do Sul.

Naquele dia, eu resolvi que UM DIA EU IRIA COMEÇAR A CORRER. Mas acabei ficando só na promessa, e não levei muito adiante essa idéia.

Daí quase um ano depois, eu vi uma mulher de 38 anos ganhar a Maratona das Olimpíadas de Pequim, o nome dela? Constantina Tomescu, da Romênia.

Daí dessa vez eu pensei: "Agora sim, eu vou começar a correr e não vou ficar só na promessa!", e realmente comecei.

Aos poucos, alternando caminhada e corrida, fui atingindo distâncias que antes pareciam inimagináveis à minha pessoa. Ficava todo faceiro quando saía do treino depois de correr 3km, 4km no outro dia, 5km mais além, até o dia que eu corri 7km.

No domingo 31 de agosto iria correr a minha primeira prova, a XII Corrida do Carteiro, prova de 10km, lá na Av. Edvaldo Pereira Paiva (Gasômetro - Beira-Rio). Planejei 50mil formas de conseguir completar os 10km, visto que nos treinos eu havia chegado somente a 7km.

Mas quando cheguei no local da prova, senti que as coisas seriam diferentes. Por 2 grandes e lindos motivos:

1º) Correr com aquela paisagem do teu lado é emocionante e empolgante!

2º) Sabine Heitling, aquela gauchinha, medalhista de ouro no Pan, estava ali, do meu lado.

Não hesitei, e cumprimentei ela, dando um abraço e dizendo a ela que ela era uma das razões de eu estar ali naquele momento, pronto pra correr meus primeiros 10km. O sorriso dela e as palavras de incentivo já valiam meu dia, mas faltava completar a prova pra ficar perfeito.

E foi dada a largada, eu fui no meu ritmo, bem tranquilo, e quando me dei conta, já estava no km 6 dando a volta! Faltavam 4km, e eu estava ali, inteiro, e com muita vontade de terminar os km restante.

Cara, a sensação que eu tive, ao me aproximar do km 9 foi muito boa, mas tão boa, que até me deu um gás extra pra aumentar o ritmo e completar a prova em um ritmo mais forte do que o começo.

Quando percebi estava ali, há alguns metros da chegada, e passou todo um filme na minha cabeça, lembrando de vários momentos difíceis que eu passei até ali, momentos de sedentarismo no sofá da sala, de sentir inveja dos meus amigos que corriam muito mais do que eu nas peladas do futebol, de desânimo por ver aqueles quilinhos a mais no meu corpo e não ter força de vontade de fazer um exercício que prestasse, etc... Mas agora nada mais importava.

A única coisa que importava era eu vencer aqueles metros que me separavam do meu objetivo. E passar pelo portal, com 1h03min25seg, foi algo indescrítivel. Ainda estou tentando achar palavras pra descrever o êxtase, o prazer, o alívio, enfim, a sensação de estar ali, vencendo uma prova pessoal. E mesmo não sendo uns dos primeiros, nem um dos últimos, eu me sentia como se fosse o campeão. O momento era meu, e eu era o vencedor! Logo depois retirei aquela que é talvez a medalha mais importante que eu já conquistei, mesmo sendo uma medalha de participação (ou de superação!). Mas foi A medalha.

Agora, é continuar evoluindo nos treinos, e partir para as próximas corridas!

(texto escrito no dia 31/08/2008 e publicado no dia 21/09/2008).

[ ... ]

Corrida de Reis e Fast Triathlon

Amigos, conforme comentei no post anterior, hoje ocorreu a 25ª edição da Corrida de Reis, em Várzea Grande/Cuiabá - MT.

Com um percurso diferente dos anos anteriores, sem descidas, a prova ficou marcada pelo forte ritmo imposto pelos líderes e pelos três quilômetros de subida no fim da prova. O tanzaniano Marco Joseph e o queniano Nicholas Kiprutto Koech dividiram a ponta até o km 7, quando o tanzaniano apertou o ritmo, abrindo ótima vantagem sobre o queniano. Franck Caldeira seguiu o tempo todo em terceiro lugar e assim terminou a prova.

Já no feminino a vencedora foi a queniana Nancy Kipron, e nossa Fabiana da Silva chegou em terceiro, cabendo o posto de segundo lugar para a tanzaniana Sara Makera.

Infelizmente a transmissão desse evento pela Rede Globo ficou muito aquém do considerado aceitável, com a transmissão começando quando a prova já estava passando da sua metade.

Mas a Rede Globo acertou também na transmissão do Mundialito de Fast Triathlon, que aconteceu em Camboriú, SC. A chuva intensa e constante que caiu poucas horas antes do início da prova atrapalharam um pouco as competidoras, pois deixou a área de transição um tanto escorregadia, mas tudo correu bem. A prova que consistia em três baterias de 250m de natação, 4km de ciclismo e 1300m de corrida, foi disputada por equipes de 6 países: Brasil, Canadá, Alemanha, África do Sul, EUA e México.

O trio brasileiro contou com Vanessa Gianini, Pamela Oliveira e Fernanda Bau, cabendo o destaque para a bela Pamela Oliveira, que foi a melhor das triatletas brasileiras, com uma prova de natação impecável.

A alemã Rebeca Robisch venceu as três baterias, mas suas companheiras não colaboraram tanto e quem acabou levando o título no somatório das três baterias foram as canadenses, que fizeram um ótimo jogo de equipe. No fim, o pódio foi formado por Canadá (105 pontos), Alemanha com 96 e Brasil com 90 pontos.

Fica aqui o meu destaque mais uma vez para a triatleta Pamela Oliveira, de apenas 21 anos e que demonstra ter um potencial imenso e quem sabe um futuro feliz para nós, torcedores do triathlon brasileiro.

Um bom domingo a todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

Corrida de Reis


Amanhã acontecerá mais uma edição da já famosa Corrida de Reis, que acontece todo ano no primeiro domingo após o dia de Reis (06 de janeiro). É a competição que abre oficialmente o calendário de corridas de ruas da CBAt.

Organizada pela TV Centro América (afiliada da Rede Globo), a corrida tem sua largada na cidade de Várzea Grande e a sua chegada na cidade de Cuiabá, capital do Mato Grosso. Com um percurso de 10km, é uma das provas nacionais com maior premiação, distribuindo um carro zero km para os campeões masculino e feminino, e também com premiação por categorias (fáixa etária, especial e deficiência física).

A primeira edição dessa corrida ocorreu em 1985, quando ainda não era considerada prova oficial do calendário, fato esse que só veio a ocorrer em 1997. Dentre os vencedores da prova temos a Fabiana Cristine da Silva, que conquistou o 2° lugar na Corrida de São Silvestre há 10 dias atrás. Fabiana venceu em 2000, e em 2003 chegou em segundo lugar, mas herdou o primeiro lugar após a desclassificação de uma queniana que correu sem a carta-convite, o que é ilegal já que a prova é nacional e somente atletas estrangeiros convidados pela organização é que podem participar.

O fato curioso sobre essas duas vitórias da Fabiana é que nos mesmos anos em que ela venceu, o vencedor masculino da prova foi o Daniel Lopes, seu marido. (Daniel Lopes é tricampeão da prova ganhando em 2000, 2001 e 2003).

Em 2007, os vencedores foram Lucélia Peres (que poucos dias antes dessa prova havia ganho a 82ª São Silvestre) e Clodoaldo Gomes da Silva. Já em 2008 tivemos uma queniana, a Alice Timbili (que também ganhara a São Silvestre alguns dias antes dessa edição da Corrida de Reis) e o brasileiro Franck Caldeira.

Os recordes da prova são de Valdenor Pereira dos Santos com o tempo de 29'29" e de Maria Zeferina Baldaia com 34'15", ambos estabelecidos em 2002.

Sobre o atual vencedor dessa prova no masculino, depois de mais uma fracassada atuação na São Silvestre, estarei torcendo por ele nessa Corrida de Reis, para quem sabe assim ele apague um pouco a má impressão que causou em uma grande parcela dos apaixonados pelo atletismo. Franck Caldeira renovou com o Cruzeiro, e está esperançoso de repetir o feito de 2008, quando foi campeão dessa prova.
A Rede Globo transmite ao vivo a partir das 09h30min!!!


Ps: Esse é o centésimo (100°) post desse humilde blog!! E isso apenas em 112 dias de blog (desde 21/09/08). Agradeço a todos que sempre passam por aqui, comentam e que fazem eu me sentir sempre com vontade de estar aqui, escrevendo para vocês!! Obrigado mais uma vez

Abraços a todos
Bruno Thomaz

[ ... ]

Vanderlei Cordeiro de Lima

Ele se despediu das corridas profissionais pela porta da frente, como ele mesmo declarou ao completar a 84ª São Silvestre, depois de correr durante 52 minutos sendo aplaudido e ovacionado pelo público. Ele declarou que agora é um de nós, os verdadeiros apaixonados pela corrida, um corredor amador, e que estará lá na Av. Paulista no último dia de 2009, correndo junto com a massa, pelo simples prazer de correr e não por dinheiro ou por tempo.

Esse é Vanderlei Cordeiro de Lima, uma pessoa que tive a honra e o prazer de conhecer e trocar algumas poucas palavras, mas o suficiente para perceber o tipo de pessoa que ele é. Simpático e humilde, esse corredor que e o único atleta brasileiro a receber a Medalha Pierre de Coubertin, se mostrou sempre uma pessoa verdadeira, uma pessoa lutadora e acima de tudo, vencedora.


Ele, que tem em seu currículo dois títulos da Volta Internacional da Pampulha (1999 e 2002), vencedor da Maratona de Tóquio em 1998, duas medalhas de ouro nas maratonas dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e Winnipeg, e a mais importante medalha: o Bronze da Maratona de Atenas em 2004, bronze esse que só não é ouro por causa de um padre fdp (me perdoem a expressão).

Aos 39 anos, Vanderlei se despediu. Se despediu em uma São Silvestre, prova que nunca venceu, mas que participa desde 1989.

Esses dias recebi através do e-mail do blog (contato@correndonachuva.net) um vídeo antigo, de 1987, mostrando uma corrida de rua humilde, daquelas que são as responsáveis pelo o que hoje é o esporte de corrida de rua amador. Uma corrida que provavelmente não tinha patrocínios, nem premiação em dinheiro. Uma simples corrida de rua, daquelas que realmente valorizam o espírito esportivo e o amor pelo esporte.

E o vídeo traz uma corrida realizada em Floraí, interior do Paraná, e mostra o nosso querido Vanderlei Cordeiro de Lima correndo e chegando em primeiro lugar. O vídeo é muito legal, só tendo dois poréns: a péssima edição (e legendas) e a horrível e infeliz escolha de música. (Não que a música seja ruim, mas ela é repetitiva demais).

Curtam o vídeo e vejam como era uma simples corrida de rua no ano de 1987:


Um grande abraço a todos
Bom fim de semana
Bruno Thomaz
[ ... ]

Ainda sobre a São Silvestre

No post anterior trouxe para vocês um acontecimento triste da nossa tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, mas resolvi compensar trazendo agora esse vídeo, que mostra um pouco o porquê dessa corrida ser tão emocionante ao ponto de existir uma frase conhecida que diz: "Todo corredor brasileiro que se preze um dia tem que correr a São Silvestre".




Abraços
Bruno Thomaz
[ ... ]

Big Pastel(ão) da Yescom

Não é do meu caráter reclamar das organizadoras de prova quando eu opto por participar de uma prova, afinal o livre-arbítrio existe para isso. Se eu não gosto da organizadora da prova é simples, só não me inscrever. A mesma coisa vale para um produto qualquer. Se não gosto de peixe, não vou a um restaurante de frutos do mar. Ou então se não gosto do Inter não irei comprar ingresso para ver jogo do Inter na torcida do Inter né?

Inclusive não fiz nenhuma reclamação à Yescom em meu relato sobre a São Silvestre, pois acredito que eu estava lá para curtir a prova e não para ficar que nem um amargurado colocando defeitos em tudo e depois reclamando o tempo todo. Mas não posso deixar de registrar a lamentável falha da Yescom que já vem ocorrendo há tempos. A falta de um controle mais adequado do percurso, um tapete de marcação dos chips no meio do percurso, ou qualquer outra idéia que eles possam ter para evitar que aqueles corredores de caráter duvidoso cortem caminho, afinal o percurso da São Silvestre é bem propício a isso, na altura da Av Ipiranga.

Sinceramente, mesmo afirmando acima que isso é uma falha da organizadora da prova, não sei se deveríamos mesmo reclamar da Yescom, afinal, a organizadora não tem culpa que existam pessoas sem espírito esportivo não é mesmo? Deveríamos é condenar a atitude dessas pessoas, mas como são muitas, fica mais fácil usar a Yescom como bode expiatório.

O atleta de número de peito 15958 fez o incrível tempo líquido de 00:46:41 (sim, dois minutos a mais que o vencedor James Kipsang) e um tempo bruto de 00:50:00, ou seja, no bruto ele chegou menos de 4 minutos após o James Kipsang. Confesso que ao olhar o tempo dele pensei que era um atleta amador que estivesse "voando" baixo.

Olhem no vídeo abaixo quem é o super corredor amador: (obs, caso o vídeo não carregue, atualize a página ou digite F5 no seu teclado)


Odeio piadas prontas. Mas esse foi um legítimo "pastelão" da Yescom não é?

Abraços a todos
Bruno Thomaz
[ ... ]

Voltando a ativa...

Da melhor forma possível!!

Hoje tava um dia lindo e não podia ser diferente, afinal era o dia em que eu iria voltar aos treinos depois de ter voltado de São Paulo! Cheguei na pista por volta das 18h30min e passei mais tempo conversando com que treinando... Estava contando para meus amigos sobre tudo o que aconteceu durante a São Silvestre, e eu que sou pouco emocionado nem falei muito né hehehe...

O treino de hoje era apenas um teste de 2400m. Distância que fiz em 10'33", um pace de aproximadamente 4'23" por km. Um ótimo tempo, para quem fazia tempo que não vinha treinando intensidade, já que eu estava visando a Sâo Silvestre e só estava fazendo treinos de manutenção de ritmo nas semanas que antecederam a prova.
Fiquei bem satisfeito com meu treino, mas o que mais me deixou feliz foi o comentário de um grupo de corredores que encontrei na saída do clube.

Estava eu me dirigindo à saída, quando vi um grupo entrando e uma moça com uma regata semelhante à minha (da São Silvestre) só que a dela era da 82ª edição, daí puxei assunto com eles, falei sobre a prova desse ano, mostrei a medalha e a camiseta do kit, e papo vem, papo vai, acabei sabendo que eles participaram da Meia Maratona das Cataratas do ano passado, e que inclusive ela foi 10ª colocada geral. Daí lá pelas tantas eu falei que corro só desde agosto, e que tinha 80kg quando comecei. Foi então que eu recebi o melhor elogio que uma pessoa que quer emagrecer pode receber. Quando disse que estava com 80kg quando comecei, eles tudo me olharam, com uma certa cara de surpresa, e perguntaram: "Nossa, sério?". Eles não acreditaram que eu um dia estive com 80kg. E isso me deixou muito bem, muito mesmo!!


E de fato, quem me conhece hoje não consegue imaginar eu com 8kg e 5% de gordura corporal a mais. Mas nessa quinta irei fazer uma nova avaliação corporal e então poderei atualizar meus dados com mais precisão!

E gostaria também de dar as boas vindas a mais um blogueiro de corridas! O Orlando, um não corredor que corre, criou seu blog nos últimos dias de dezembro, e está começando a dar os primeiros passos na blogosfera da corrida!! Seja bem vindo amigo Orlando! O Blog dele você pode conhecer clicando no endereço:
www.orlandoumnaocorredorquecorre.blogspot.com
.

Ah, agora o Correndo na Chuva é PONTO NET. Agora ficou mais fácil acessar o blog. É só digitar www.correndonachuva.net e não mais o blogspot.com, mas o antigo continuará valendo também!!

Um grande abraço a todos!
Bruno Thomaz

[ ... ]

Repouso...

Repouso: sm. 1. Ato ou efeito de repousar. 2. Ausência de movimento.

Repousar: v.t. 1. Aliviar a fadiga a; descansar. 2. Acalmar. 3. Estar estabelecido; assentar-se. 4. Basear-se; fundar-se. 5. Jazer. Int. 6. Estar em repouso; descansar. 7. Dormir.

Desde que cruzei a linha de chegada da São Silvestre que não sei mais o que é correr. Já são cinco dias sem treinar. Até amanhã, às 18h (que é a hora que volto a treinar) vão ser aproximadamente 144 horas sem siquer dar um trotinho. É muito tempo parado... Desde que comecei a correr, no início de agosto, é a primeira vez que eu fico mais de 3 dias sem treinar.

Mas, levando em conta que nos últimos meses de 2008 eu vinha sentindo um leve desconforto na coxa direita, essa paradinha pode ser essencial para dar aquela recuperada no corpo né...

Amanhã é dia de calçar o Pégasus e tirar o atraso. Com certeza o meu treino vai ser algo bem leve, recuperativo, e assim será durante janeiro e fevereiro. Os chamados treinos de manutenção, de base. Vamos começar 2009 da maneira mais correta que é planejando chegar ao fim inteiro e conseguir fazer as provas que pretendo participar.

Em breve estarei voltando a relatar meus treinos e corridas por aqui!! Mas enquanto não volto aos treinos, vamos se divertir com uma história curiosa e romântica que aconteceu durante a São Silvestre.
No dia do jantar de massas no Viena, conheci um casal muito legal lá de Fortaleza, o Fernando e a Nelma. Infelizmente não consegui encontrar o pessoal no dia da corrida, e acabei perdendo a cena que vocês verão abaixo.

O Fernando pediu a Nelma em casamento logo após a prova e os padrinhos e testemunhas foram o pessoal da equipe "Vamos que vamos", equipe simbólica criada pelo grupo que se reuniu no jantar de massas!! Parabéns aos noivos!!
 


E durante o mês de dezembro, deixei três enquetes para que os leitores dessem seu voto. Eis os resultados das enquetes de dezembro:
enquetes dezembro

Por hoje é só!
Um grande abraço e feliz 2009 para todos!
Bruno Thomaz

[ ... ]

São Silvestre 2008 - A corrida.

Às 15h45min saímos do hotel e nos dirigimos até a Pamplona com a Paulista e ficamos ali pela esquina conversando, tirando fotos, olhando a multidão, tomando água, ou seja, matando tempo mesmo. Logo após saímos dali e nos dirigimos ao local aonde iriamos largar, próximo da placa de ritmo 8min/km (sim, largamos bem do fundo).

PC280261

Eu e a Caren pretendíamos fazer algo em torno de 5min/km, já o Edu, a Bia e o Zara pretendiam terminar a prova, independente do tempo, pois os três estão com algum problema. O Zara tá sentindo dores na parte posterior do joelho, e já estava há tres semanas sem treinar direito. A Bia tá com problema no calcanhar e vinha treinando sempre bem leve e o Edu sentiu também o calcanhar nas vésperas da corrida.

S.Silvestre 035

Exatamente às 16h52min foi dada a largada. Nós continuamos parados. Nós e o resto da multidão. Andando próximo de nós estavam o Sulley e o Mike, os monstros do filme de animação Monsters INC. Demorou cerca de quase 20 minutos para chegarmos até o pórtico de largada. Pouco depois passamos pelo tapete de cronometragem e acionei meu cronômetro. A Caren venho no mesmo ritmo que eu, me acompanhando. Por termos largado bem atrás, as pessoas que estavam próximas de nós estavam em um ritmo mais lento, logo eu e a Caren tivemos que correr em zigue-zague, ultrapassando os corredores, mas isso não foi problema para nós.

Na Consolação passamos pelo Batman, e o povo ficava gritando "Vai lá, Batman!" ou então gritavam "Batman, cadê o Robin?" e ele respondia "Não veio, tá com dengue!".

Eu e a Caren continuamos tranquilos, passamos pelo km1 com 6'30", e achamos que estava bom, porque agora talvez conseguíssemos melhorar o ritmo de acordo com o "esvaziamento" do pelotão.

Me diverti bastante com os corredores fantasiados, mas não gostei da atitude de dois deles. Um fantasiado de boxeador que parava toda hora de correr para fazer um showzinho de socos no ar para o público e um outro que encontrei na Av. Rio Branco, caminhando fazendo embaixadinhas com uma bola e atrapalhando muita gente.

Também achei bem curioso a quantidade de pessoas que "quebram", caminhando, em diversos pontos das corridas. Pessoas que passavam a milhão por mim, e minutos depois estavam caminhando.

Eu e a Caren alternamos o posto de água, passando reto pelo primeiro, terceiro e último posto de água, pegando água somente em alguns. Em momento algum da prova pensei que talvez eu tivesse que diminuir o ritmo ou parar, pelo contrário, achei que poderia até ter forçado pouco mais.

Como detesto descidas, ao sairmos da Av Rio Branco disse para a Caren: "-Graças a Deus, agora só tem subida". Ela riu e achou que eu tivesse apenas brincando, mas logo ela percebeu que eu falava sério. Quando cruzamos o Largo Paissandu eu aumentei um pouco meu ritmo e me distanciei um pouco dela. No começo da Brigadeiro eu aumentei meu ritmo, chegando a fazer o km do 13 ao 14 em 4'40". Pouco antes do fim da subida diminui um pouco o ritmo para esperar a Caren, mas logo que ela chegou em mim ela disse: "Pode ir Bruno, se encontramos lá depois da chegada", e eu fui, aumentei novamente o ritmo na Brigadeiro, dei o sprint na Av. Paulista e cruzei a chegada com um tempo líquido de 1 hora, 24 minutos e 33 segundos. A Caren chegou 22 segundos após eu ter chegado. O meu pace acabou ficando em 5'37" por km.

Depois de entregar o chip, pegar a medalha e retornar para a Paulista, chegou o Zara, com um tempo aproximado de 1h46min. Doze minutos depois apareceram a Bia e o Edu, que fizeram em um tempo de 1h58min.

S.Silvestre 040

A emoção de participar dessa prova é tanta que eu demorei para encontrar palavras para descrevê-la. E ainda não consegui. Só sei dizer que realizei um sonho. Que o fato de eu estar lá, correndo naquela multidão (que eu não enxergava aonde começava e nem aonde terminava), com o público ali, incentivando, jogando água de mangueira, gritando, aplaudindo todos os corredores, isso foi demais. Preço nenhum paga isso. Durante todo o percurso eu me emocionava. Quando estava na Brigadeiro e sabia que faltava pouco, eu fiquei pensando em milhares de coisas, de tudo que passei até chegar ali. Na Av. Paulista eu quase chorava de tanta emoção. Cruzei a linha de chegada com lágrimas nos olhos, pronto para a próxima São Silvestre.

Acabei não prestando muita atenção nos tais pontos turísticos da prova. Não vi o Cemitério da Consolação, não vi o Memorial da América Latina, não vi nem a Av Ipiranga nem a São João, quanto menos a famosa esquina entre as duas ruas. Não vi o Teatro Municipal. Acho que só vi mesmo foi a Faculdade de Direito da USP e o Viaduto do Chá. Quem sabe em 2009 eu vá de novo e preste mais atenção nesses detalhes.

Após a prova comecei a perguntar para as pessoas se sabiam quem havia ganhado a prova e ninguém, até da organização, não sabia me dizer. Fui descobrir que o vencedor era o James Kipsang só de noite, no Jornal Nacional. Mas fiquei mesmo feliz com o fato de a Marily dos Santos ter chegado em terceiro lugar. Dos atletas que eu conheci, ela foi a pessoa que eu mais gostei. Simpática, querida e humilde, conversou bastante comigo e com a Bia, e eu realmente estava torcendo por ela. Parabéns Marily!! Você merece menina!!

[ ... ]

São Silvestre 2008 - O 3º dia.

Primeiro de janeiro de 2009. Acordamos, tomamos café e voltamos ao quarto para arrumarmos as coisas e se preparar para deixarmos São Paulo. Após isso, quando descemos já com as malas, encontrei algumas pessoas lá embaixo, e entre elas estavam os dois vencedores da prova. O queniano James Kipsang e a etíope Yimer Wude. Obviamente que tirei diversas fotos com eles.

S.Silvestre 054 
são silvestre 048 Bruno 15
são silvestre 049 Bruno 16
são silvestre 051 Bruno 17

Após as fotos, já estávamos prontos para partirmos.
são silvestre 053 Bruno 18

E às 18h eu já estava em Porto Alegre. Já pensando na próxima São Silvestre.

[ ... ]

São Silvestre 2008 - O 2º dia.

No dia 31, o dia da prova, acordei cedo para tomar o café no hotel, e foi muito bom tomar o café acompanhado dos meus colegas da equipe e rodeado dos atletas da elite. Tiramos fotos com alguns nesse momento.

S.Silvestre 003
Abaixo, eu e a Bia com o queniano Kiprono Mutai, que acabou ficando em terceiro lugar na corrida.
são silvestre 018 Bruno 6
são silvestre 023 Bruno 7
Acima, Claudir Rodrigues, campeão da Maratona de São Paulo e do Rio de Janeiro. E abaixo os atletas José Teles e Gládson Barbosa, junto com a Bia e a Caren.
são silvestre 025 Bruno 9

Após o café fomos dar uma caminhada pela Av. Paulista, para vermos como estava a movimentação da organização da prova. 
 são silvestre 027 Bruno 10

Aproveitei também para tirar uma foto de uma faixa que achei um tanto curiosa pelo termo que estava escrito nela: "faichetária".
são silvestre 036 Bruno 11

Depois fomos almoçar e voltamos para o hotel para nos prepararmos psicologicamente para o grande momento: A corrida. 

Nesse post irei pular a parte da corrida, deixando esse momento para um post único após esse.

Após a corrida e voltarmos ao hotel, se preparamos para o Reveillón. Passamos a virada lá na cobertura do hotel, em uma festa que o hotel preparou. De lá dava para ver todos os fogos de artifício da Av. Paulista e o hotel também preparou um show pirotécnico. Foi lindo de ver. O Edu filmou os momentos, assim que eu receber o vídeo posto por aqui. Logo após a virada, havia um grupo de atletas africanos por ali, e fomos convidados a tirar fotos com eles. (Para ser sincero, só sei o nome de dois atletas desse grupo, que é o tanzaniano Marco Joseph (o bem da esquerda) e a Nancy Kipron que é a que está do meu lado). 
PC280280

[ ... ]

São Silvestre 2008 - O 1º dia.

Vou iniciar o meu relato sobre a minha participação na São Silvestre pelo dia 30 de dezembro, às seis e meia da manhã. Nesse horário eu estava no aeroporto, pronto para embarcar no Vôo 2101 da Gol, com destino Congonhas e previsão de chegada às 08h36min. Junto comigo nesse vôo iria a Bia e o treinador Eduardo. Eu, Bia e Edu no aeroporto.

Chegamos em São Paulo um pouco antes do previsto, às 08h20min, e fomos direto para o Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiro retirar os kits. Ao chegar lá e ver aquele monte de pessoas em volta do ginásio comecei a sentir as primeiras emoções.O clima de confraternização já dava seus primeiros sinais por ali mesmo. Um grupo de baianos apareceu tocando seus instrumentos de percussão e fazendo uma bonita festa lá no local. A Bia ainda aproveitou para fazer um teste de pisada que a Mizuno estava proporcionando no local.
são silvestre 003 Bruno

Logo após fomos à feira de vendedores ambulantes que se encontrava do lado de fora do Ginásio, e eu acabei comprando uma camiseta regata alusiva à 84ª São Silvestre e uma camiseta de mangas compridas vermelha.

Dali fomos a pé até o nosso hotel, já aproveitando para conhecer um pouco mais de São Paulo. 20 minutos de caminhada e já estávamos no Hotel Trianon Paulista, que fica na Alameda Casabranca 363. Fomos direto para os quartos, e combinamos de nos encontrarmos dali a pouco lá na recepção para darmos uma caminhada pela região e também para almoçarmos. Quando estamos saindo, encontramos o Franck Caldeira sentado na frente do hotel, e pedimos para tirar uma foto.


São Silvestre Bruno 2

Saímos, almoçamos, e quando voltamos, encontramos uma aglomeração da imprensa em frente ao hotel. Era o Vanderlei Cordeiro de Lima que estava por ali. Ficamos por ali esperando para tentarmos tirar uma foto. PC270254
Não só tiramos a foto como ainda fomos filmados e meu treinador, entrevistado. A reportagem foi exibida no Jornal da Globo, do dia 30/12. Você pode ler a reportagem clicando aqui, e o vídeo abaixo:

Logo após isso, matamos tempo durante a tarde, esperando chegar o resto do nosso pessoal, o Zara, a Caren, dona Gisa (mãe da Caren) e o Nickolas (filho do Zara e da Caren). Duranta a tarde ainda encontrei uma das maiores figuras do atletismo feminino atual do Brasil e que fiz questão de tirar fotos com ela. Marily dos Santos .


são silvestre 011 Bruno 4
Marily dos Santos, maratonista brasileira em Pequim.

Às 20h, havia uma janta com o pessoal da Comunidade da São Silvestre no orkut. A janta foi no Restaurante Viena, do Conjunto Nacional. Fomos eu, o Edu e a Bia, e ao chegarmos lá já se encontrava um pessoal. A cada instante chegava mais gente, e no fim totalizou 26 pessoas de 10 estados diferentes.
janta comunidade 13.1

Estavam presentes pessoas do RS, SC, PR, SP, RJ, MG, MT, CE, AL e MA. Um pequeno agradecimento à Catia, do RJ, que se esforçou para que essa janta saísse!! Foi muito boa essa janta, e o pessoal muito show de bola! (nas fotos: acima, Cátia; Magrão. Abaixo: Lediana; um lado da mesa). Janta comunidade1Janta comunidade4 Janta comunidade3Janta comunidade11

[ ... ]

III Meia Maratona das Cataratas

Parte 1


Esse post começou a ser escrito há mais de seis meses, quando decidi que iria fechar o primeiro semestre com chave de ouro, correndo a III Meia Maratona das Cataratas do Iguaçu, no dia 05 de julho. Passei meu objetivo para o Eduardo, que fez todo o planejamento de treinos para que eu chegasse "inteiro" e conseguisse cumprir minha meta.

Chegada em Foz

18h45min de sexta-feira embarquei rumo a Foz, e encontro no ônibus mais 3 corredores de Porto Alegre que tinham o mesmo objetivo que eu. A Beth, o Gringo e o Fernando. Viagem longa, mas não cansativa. Desembarcamos exatamente às 09h do sábado em Foz, e a minha amiga Reem estava me esperando na rodoviária. O hotel que o Fernando iria se hospedar ficava bem próximo da casa da Reem, então acompanhamos ele até o hotel, e depois fomos até a casa da Reem para tomarmos um café e então ir até o Hotel Mabu para retirarmos nosso kit.



Retirada do Kit

Logo que chegamos no local da retirada, encontramos a Shirley e o Batista, também de Porto Alegre, e que já estavam em Foz desde quarta-feira. Fui retirar meu kit, e me senti até atleta de elite quando verifiquei a lista dos inscritos: atleta número 51. Retirei meu chip, número de peito, camiseta, sacola e meu QUATI de pelúcia. Ficamos ali conversando e encontrando outros corredores até que decidimos ir passear no Paraguay.

Paraguay

Ir para o Paraguay é fácil, o problema é caminhar por lá. Fomos eu, Fernando, Batista e Shirley. Cada um queria alguma coisa diferente, então visitamos umas trinta lojas diferentes. O mais curioso é ter sido reconhecido pelo amigo Joca e seu irmão Miguel no meio daquele formigueiro humano. Continuamos a visitar lojas, e acabei encontrando um abrigo esportivo e uma legging masculina com um preço muito bom e acabei comprando. Fomos sair de lá por volta de 16h e retornamos a Foz para combinarmos nossa ida para o jantar de massas, que estava previsto para às 20h no Hotel Mabu.

Tuco e Carla Seben

Quando voltei para a casa da Reem, liguei para a Carla e combinamos de que eles iriam passar ali para nos conhecermos pessoalmente. Não deu trinta minutos e lá estavam os dois. Muito bom conhecê-los fisicamente. Achei tão importante esse momento que resolvi registrar um capitulo em meu post apenas para isso. Infelizmente eles não iriam ao jantar de massas, mas teríamos o domingo para nos vermos novamente.

Jantar de Massas

Particularmente é o momento que eu mais gosto desses eventos. O espirito de confraternização que existe nessa hora é demais. Conhecer ou rever corredores de outras cidades, tirar fotos, curtir o momento. O que menos interessa para mim nessa hora é a comida. E não podia ser diferente em Foz. Havia um cantor tocando músicas ao vivo e lá pelas tantas ele resolve não sei porque diabos cantar o Canto Alegretense.
Fui a loucura, corri até a mesa em que estava o pessoal, peguei minha bandeira sagrada do Rio Grande do Sul, e comecei a cantar e agitar o meu amado estandarte. Foi um momento marcante do jantar de massas, já que diversos fotógrafos e olhares se dirigiram a minha humilde pessoa. Mas enfim, continuei tirando fotos, conhecendo mais gente e me divertindo um monte. Fiz até o Quati tirar foto com a minha bandeira.

Até o Quati se rendeu ao encanto e a beleza da bandeira gaúcha.


O Gringo e eu tirando uma casquinha do Quati.
Os amigos blogueiros Joaquim e Miguel, do Rio de Janeiro.
A turma do ônibus leito Porto Alegre - Foz. Fernando, eu, Beth e Gringo.
O Tutta, blogueiro de Ubiratã.
A garotinha mostrando o Quati filhote pro Quati adulto.Nova garota propaganda da Meia Maratona das Cataratas!!




Parte 2


A largada

Ainda noite, chegamos ao local da largada, debaixo de muita chuva. Me preparei para a largada, guardei meus pertences na sacola do guarda-volumes e entreguei ela para o pessoal responsável. Procurei meus amigos, e acabei encontrando somente o Gringo e o Batista. Já aquecido, me posicionei aproximadamente na metade do pelotão da largada e aguardei o inicio da prova.

Clique na foto, eu estou no retângulo vermelho, de azul.

A corrida

Comecei os primeiros quilômetros com um pace um pouco abaixo de 5min/km. Passei no km 5 com um tempo de 24'20", mas resolvi dar uma diminuída pois sabia que mais para frente é que realmente começaria a corrida, quando as subidas e descidas começariam a ficar mais íngremes e longas. Tomei meu primeiro gel no km 6, que foi quando o Tuco me encontrou, deu um grito e quase me matou de susto. Seguimos juntos por um tempo, mas o Tuco gostava de forçar nas descidas, ao contrário de mim, que sou adepto das subidas. Então ficamos nesse joguinho de ele abrir vantagem nas descidas, e no fim das subidas eu já passava por ele novamente. Na entrada do parque, pouco depois do nono quilômetro, algumas crianças fazendo uma festa e esticando as mãos para os corredores as cumprimentarem. Muito bom! Eu e o Tuco fomos juntos até o km 12, que foi quando decidi baixar um pouco mais o ritmo, que era para poder forçar bastante mais para frente. O Tuco foi junto com outro corredor e chegou uma hora que eu nem enxergava mais ele. Quando passei no km 15 com 01:19:30, senti que poderia começar a aumentar um pouco o ritmo, e assim o fiz. Fui forçando e a cada quilômetro diminuindo o pace, chegando a fazer pouco abaixo de 4'30" no km 17 - 18. Quando passei o 18º km, encontro o Tuco em um ritmo muito baixo, com cara de dor. Resolvo segurar meu ritmo e combino com ele de que iríamos juntos até o final. Quando chegou a última subida, eu já estava com aquele sorriso bobo na cara, pois sabia que era só virar a curva e descer e ir buscar a medalha.

A chegada

Quando estava visualizando o portal de chegada, aumentei um pouco o ritmo e cruzei o pórtico perto de 01:51:15, mas acabei não desligando meu cronômetro, mas naquele momento o que menos importava era meu tempo. Chuva, frio, subidas, descidas, tudo era passado. Eu venci aquele momento, independente do tempo que eu fiz. Mas confesso que fiquei satisfeitíssimo com meu tempo!!

Pós-chegada

Peguei minha medalha, meu kit pós-prova, peguei meus pertences no guarda-volumes, fui para o banheiro e coloquei uma roupa seca. Após, fui curtir o visual das cataratas e tirar bastante fotos pelo local, sempre acompanhado da Carla e do Tuco. Fotos que ficaram lindas e que valem a pena serem mostradas.

Primeira foto com a medalha.

Tutta, eu, Cacá e Tuco.
Tuco, Cacá e eu.
Equipe Correndo na Chuva
Tutta, 1º colocado da categoria 30-34.
Beth, 2ª colocada da categoria 40-44.

Quando eu estava voltando para a casa da Reem, passei por uma rua e quando vi o nome dela, pedi pro Tuco parar o carro porque eu precisava tirar uma foto.

Rua Rio Grande do Sul, tchê.
Os quatis e a medalha.

Após isso passei a tarde dormindo (descanso merecido) e nem vi meu time ganhar de 4x1 do Atlético-PR, com dois gols do Máxi Lopez e dois do Herrera. Agora é aguardar as fotos oficiais do evento e também os resultados no site. O amigo Tuco publicou o seu relato da prova lá no TC Projeto Triathlon. E saiu também uma pequena matéria no site oficial do evento em que eu dei meu depoimento sobre a prova.

Claro que não poderia deixar de registrar também a colocação final dos três primeiros colocados:

MASCULINO
1°: João Ferreira da Silva (Joao da Bota) 1:03:37
2°: Franck Caldeira de Almeida 1:03:42
3°: Damião Ancelmo de Souza 1:04:01

FEMININO
1°: Anne Cheptanui Bererwe 1:14:04
2°: Marily dos Santos 1:16:16
3°: Marizete Moreira dos Santos 1:17:11


Um grande abraço a todos, e até a volta.
Bruno Thomaz, ainda em Foz do Iguaçu.
[ ... ]

NikeCorre

[ ... ]

PLANO DE METAS 2009

No início do mês de dezembro postei por aqui um esboço do que seria o meu plano de metas para o ano de dois mil "inove". Pois durante o mês de dezembro algumas coisas novas surgiram que acabaram por mudar alguns de meus planos. Hoje, irei postar um plano de metas versão 2.009 final, sem mudanças. Durante o ano usarei esse post para "fiscalizá-las" e no fim do ano, poder analisar quais foram atingidas e quais deixei de atingir, e porque deixei de atingi-las.


Logotipo Blog 2009

Resolvi separar as minhas metas em três grupos distintos:
Vida de Corredor, Vida Social e Vida de Estudante.

Metas na categoria Vida de Corredor:

  • Participar (e completar) de uma Meia Maratona até o fim do primeiro semestre de 2009. Possivelmente a Meia Maratona das Cataratas em Foz do Iguaçu no dia 05/07.
  • Participar (e completar) de uma Meia Maratona durante o segundo semestre do ano.
  • Participar de todas as provas que constam no menu Calendário 2009 aqui no Blog.
  • Atingir a marca dos 40' nos 10k até o mês de dezembro.
  • Atingir a marca dos 19' nos 5k até o mês de dezembro.
  • Manter o Blog sempre atualizado!!
  • Sei que minhas metas de atingir marcas de tempo nas distância de 5 e 10k são contraditórias do ponto de vista prático dos treinamentos, visto que estarei treinando para a Meia Maratona, mas isso não impede de eu ter estas marcas como metas né?!

    Metas na categoria Vida Social:

  • Atingir e manter a faixa de peso entre 66 e 69kg.
  • Fazer o possível para continuar sendo feliz.
  • Ser menos chato com meus amigos não-corredores, evitando de falar sem parar sobre a maravilha que é correr.

  • Metas na categoria Vida de Estudante:

  • Ser aprovado em todas as disciplinas que eu puder me matricular na faculdade, em ambos os semestres.
  • Estudar para passar em algum concurso público.

  • É isso pessoal, espero que eu consiga cumprir minhas metas, afinal irei me esforçar para isso e sei que estarei contando com a torcida de vocês. Desejo a todos vocês um ótimo dois mil "inove"!! Espero que vocês também consigam cumprir as suas metas! Estarei aqui torcendo por todos!!

    Um grande abraço...
    Bruno Thomaz

    [ ... ]

    Relatos das corridas

    [ ... ]

    Relato completo São Silvestre 2008

    Vou iniciar o meu relato sobre a minha participação na São Silvestre pelo dia 30 de dezembro, às seis e meia da manhã. Nesse horário eu estava no aeroporto, pronto para embarcar no Vôo 2101 da Gol, com destino Congonhas e previsão de chegada às 08h36min. Junto comigo nesse vôo iria a Bia e o treinador Eduardo. Eu, Bia e Edu no aeroporto.

    Chegamos em São Paulo um pouco antes do previsto, às 08h20min, e fomos direto para o Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiro retirar os kits. Ao chegar lá e ver aquele monte de pessoas em volta do ginásio comecei a sentir as primeiras emoções.O clima de confraternização já dava seus primeiros sinais por ali mesmo. Um grupo de baianos apareceu tocando seus instrumentos de percussão e fazendo uma bonita festa lá no local. A Bia ainda aproveitou para fazer um teste de pisada que a Mizuno estava proporcionando no local.
    são silvestre 003 Bruno

    Logo após fomos à feira de vendedores ambulantes que se encontrava do lado de fora do Ginásio, e eu acabei comprando uma camiseta regata alusiva à 84ª São Silvestre e uma camiseta de mangas compridas vermelha.

    Dali fomos a pé até o nosso hotel, já aproveitando para conhecer um pouco mais de São Paulo. 20 minutos de caminhada e já estávamos no Hotel Trianon Paulista, que fica na Alameda Casabranca 363. Fomos direto para os quartos, e combinamos de nos encontrarmos dali a pouco lá na recepção para darmos uma caminhada pela região e também para almoçarmos. Quando estamos saindo, encontramos o Franck Caldeira sentado na frente do hotel, e pedimos para tirar uma foto.


    São Silvestre Bruno 2

    Saímos, almoçamos, e quando voltamos, encontramos uma aglomeração da imprensa em frente ao hotel. Era o Vanderlei Cordeiro de Lima que estava por ali. Ficamos por ali esperando para tentarmos tirar uma foto. PC270254
    Não só tiramos a foto como ainda fomos filmados e meu treinador, entrevistado. A reportagem foi exibida no Jornal da Globo, do dia 30/12. Você pode ler a reportagem clicando aqui, e o vídeo abaixo:

    Logo após isso, matamos tempo durante a tarde, esperando chegar o resto do nosso pessoal, o Zara, a Caren, dona Gisa (mãe da Caren) e o Nickolas (filho do Zara e da Caren). Duranta a tarde ainda encontrei uma das maiores figuras do atletismo feminino atual do Brasil e que fiz questão de tirar fotos com ela. Marily dos Santos .


    são silvestre 011 Bruno 4
    Marily dos Santos, maratonista brasileira em Pequim.

    Às 20h, havia uma janta com o pessoal da Comunidade da São Silvestre no orkut. A janta foi no Restaurante Viena, do Conjunto Nacional. Fomos eu, o Edu e a Bia, e ao chegarmos lá já se encontrava um pessoal. A cada instante chegava mais gente, e no fim totalizou 26 pessoas de 10 estados diferentes.
    janta comunidade 13.1

    Estavam presentes pessoas do RS, SC, PR, SP, RJ, MG, MT, CE, AL e MA. Um pequeno agradecimento à Catia, do RJ, que se esforçou para que essa janta saísse!! Foi muito boa essa janta, e o pessoal muito show de bola! (nas fotos: acima, Cátia; Magrão. Abaixo: Lediana; um lado da mesa). Janta comunidade1Janta comunidade4 Janta comunidade3Janta comunidade11


    No dia 31, o dia da prova, acordei cedo para tomar o café no hotel, e foi muito bom tomar o café acompanhado dos meus colegas da equipe e rodeado dos atletas da elite. Tiramos fotos com alguns nesse momento.

    S.Silvestre 003
    Abaixo, eu e a Bia com o queniano Kiprono Mutai, que acabou ficando em terceiro lugar na corrida.
    são silvestre 018 Bruno 6
    são silvestre 023 Bruno 7
    Acima, Claudir Rodrigues, campeão da Maratona de São Paulo e do Rio de Janeiro. E abaixo os atletas José Teles e Gládson Barbosa, junto com a Bia e a Caren.
    são silvestre 025 Bruno 9

    Após o café fomos dar uma caminhada pela Av. Paulista, para vermos como estava a movimentação da organização da prova.
    são silvestre 027 Bruno 10

    Aproveitei também para tirar uma foto de uma faixa que achei um tanto curiosa pelo termo que estava escrito nela: "faichetária".
    são silvestre 036 Bruno 11

    Depois fomos almoçar e voltamos para o hotel para nos prepararmos psicologicamente para o grande momento: A corrida.

    Nesse post irei pular a parte da corrida, deixando esse momento para um post único após esse.

    Após a corrida e voltarmos ao hotel, se preparamos para o Reveillón. Passamos a virada lá na cobertura do hotel, em uma festa que o hotel preparou. De lá dava para ver todos os fogos de artifício da Av. Paulista e o hotel também preparou um show pirotécnico. Foi lindo de ver. O Edu filmou os momentos, assim que eu receber o vídeo posto por aqui. Logo após a virada, havia um grupo de atletas africanos por ali, e fomos convidados a tirar fotos com eles. (Para ser sincero, só sei o nome de dois atletas desse grupo, que é o tanzaniano Marco Joseph (o bem da esquerda) e a Nancy Kipron que é a que está do meu lado).
    PC280280


    Às 15h45min saímos do hotel e nos dirigimos até a Pamplona com a Paulista e ficamos ali pela esquina conversando, tirando fotos, olhando a multidão, tomando água, ou seja, matando tempo mesmo. Logo após saímos dali e nos dirigimos ao local aonde iriamos largar, próximo da placa de ritmo 8min/km (sim, largamos bem do fundo).

    PC280261

    Eu e a Caren pretendíamos fazer algo em torno de 5min/km, já o Edu, a Bia e o Zara pretendiam terminar a prova, independente do tempo, pois os três estão com algum problema. O Zara tá sentindo dores na parte posterior do joelho, e já estava há tres semanas sem treinar direito. A Bia tá com problema no calcanhar e vinha treinando sempre bem leve e o Edu sentiu também o calcanhar nas vésperas da corrida.

    S.Silvestre 035

    Exatamente às 16h52min foi dada a largada. Nós continuamos parados. Nós e o resto da multidão. Andando próximo de nós estavam o Sulley e o Mike, os monstros do filme de animação Monsters INC. Demorou cerca de quase 20 minutos para chegarmos até o pórtico de largada. Pouco depois passamos pelo tapete de cronometragem e acionei meu cronômetro. A Caren venho no mesmo ritmo que eu, me acompanhando. Por termos largado bem atrás, as pessoas que estavam próximas de nós estavam em um ritmo mais lento, logo eu e a Caren tivemos que correr em zigue-zague, ultrapassando os corredores, mas isso não foi problema para nós.

    Na Consolação passamos pelo Batman, e o povo ficava gritando "Vai lá, Batman!" ou então gritavam "Batman, cadê o Robin?" e ele respondia "Não veio, tá com dengue!".

    Eu e a Caren continuamos tranquilos, passamos pelo km1 com 6'30", e achamos que estava bom, porque agora talvez conseguíssemos melhorar o ritmo de acordo com o "esvaziamento" do pelotão.

    Me diverti bastante com os corredores fantasiados, mas não gostei da atitude de dois deles. Um fantasiado de boxeador que parava toda hora de correr para fazer um showzinho de socos no ar para o público e um outro que encontrei na Av. Rio Branco, caminhando fazendo embaixadinhas com uma bola e atrapalhando muita gente.

    Também achei bem curioso a quantidade de pessoas que "quebram", caminhando, em diversos pontos das corridas. Pessoas que passavam a milhão por mim, e minutos depois estavam caminhando.

    Eu e a Caren alternamos o posto de água, passando reto pelo primeiro, terceiro e último posto de água, pegando água somente em alguns. Em momento algum da prova pensei que talvez eu tivesse que diminuir o ritmo ou parar, pelo contrário, achei que poderia até ter forçado pouco mais.

    Como detesto descidas, ao sairmos da Av Rio Branco disse para a Caren: "-Graças a Deus, agora só tem subida". Ela riu e achou que eu tivesse apenas brincando, mas logo ela percebeu que eu falava sério. Quando cruzamos o Largo Paissandu eu aumentei um pouco meu ritmo e me distanciei um pouco dela. No começo da Brigadeiro eu aumentei meu ritmo, chegando a fazer o km do 13 ao 14 em 4'40". Pouco antes do fim da subida diminui um pouco o ritmo para esperar a Caren, mas logo que ela chegou em mim ela disse: "Pode ir Bruno, se encontramos lá depois da chegada", e eu fui, aumentei novamente o ritmo na Brigadeiro, dei o sprint na Av. Paulista e cruzei a chegada com um tempo líquido de 1 hora, 24 minutos e 33 segundos. A Caren chegou 22 segundos após eu ter chegado. O meu pace acabou ficando em 5'37" por km.

    Depois de entregar o chip, pegar a medalha e retornar para a Paulista, chegou o Zara, com um tempo aproximado de 1h46min. Doze minutos depois apareceram a Bia e o Edu, que fizeram em um tempo de 1h58min.

    S.Silvestre 040

    A emoção de participar dessa prova é tanta que eu demorei para encontrar palavras para descrevê-la. E ainda não consegui. Só sei dizer que realizei um sonho. Que o fato de eu estar lá, correndo naquela multidão (que eu não enxergava aonde começava e nem aonde terminava), com o público ali, incentivando, jogando água de mangueira, gritando, aplaudindo todos os corredores, isso foi demais. Preço nenhum paga isso. Durante todo o percurso eu me emocionava. Quando estava na Brigadeiro e sabia que faltava pouco, eu fiquei pensando em milhares de coisas, de tudo que passei até chegar ali. Na Av. Paulista eu quase chorava de tanta emoção. Cruzei a linha de chegada com lágrimas nos olhos, pronto para a próxima São Silvestre.

    Acabei não prestando muita atenção nos tais pontos turísticos da prova. Não vi o Cemitério da Consolação, não vi o Memorial da América Latina, não vi nem a Av Ipiranga nem a São João, quanto menos a famosa esquina entre as duas ruas. Não vi o Teatro Municipal. Acho que só vi mesmo foi a Faculdade de Direito da USP e o Viaduto do Chá. Quem sabe em 2009 eu vá de novo e preste mais atenção nesses detalhes.

    Após a prova comecei a perguntar para as pessoas se sabiam quem havia ganhado a prova e ninguém, até da organização, não sabia me dizer. Fui descobrir que o vencedor era o James Kipsang só de noite, no Jornal Nacional. Mas fiquei mesmo feliz com o fato de a Marily dos Santos ter chegado em terceiro lugar. Dos atletas que eu conheci, ela foi a pessoa que eu mais gostei. Simpática, querida e humilde, conversou bastante comigo e com a Bia, e eu realmente estava torcendo por ela. Parabéns Marily!! Você merece menina!!

    Primeiro de janeiro de 2009. Acordamos, tomamos café e voltamos ao quarto para arrumarmos as coisas e se preparar para deixarmos São Paulo. Após isso, quando descemos já com as malas, encontrei algumas pessoas lá embaixo, e entre elas estavam os dois vencedores da prova. O queniano James Kipsang e a etíope Yimer Wude. Obviamente que tirei diversas fotos com eles.

    S.Silvestre 054
    são silvestre 048 Bruno 15
    são silvestre 049 Bruno 16
    são silvestre 051 Bruno 17

    Após as fotos, já estávamos prontos para partirmos.
    são silvestre 053 Bruno 18

    E às 18h eu já estava em Porto Alegre. Já pensando na próxima São Silvestre.


    [ ... ]

    Correndo na Chuva © Desde 21 de setembro de 2008. Por Bruno Thomaz. TNB

    TOPO